quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nº. 1036 - Luta Popular


1. O passado não é ciência exacta (conhecimento racional decorrente) mas interpretação dos tempos idos através do testemunho de terceiros.

2. Frequentemente, o facto narrado não é verosímil - memória insegura, embelezamento circunstancial, mensagem comprometida - e a interpretação ultimada é a adequação ao presente.

3. Logo, procurar corrigir a actualidade tendo por base uma interpretação romanceada daquilo que não foi (ou eventualmente terá sido) é andar ao sabor das vagas, sem rei e sem norte.

4. O que importa é analisar os problemas que temos de enfrentar ou conter; concertar a estratégia mais conveniente; persuadir os apáticos, bem como os renitentes, apenas com argumentação.

5. Tendo a prática mercantil dado azo ao crescimento da classe burguesa que, aliada ao poder do rei, pôs fim ao sistema económico-social que vigorou na Idade Média, a possidente burguesia ensaiou o passo seguinte, isto é, a conquista do poder económico-político.

6. Embora aliada a uma média e baixa burguesia, a classe plutocrática minoritária consolidou o seu domínio sobre os mais através do Estado de Direito que, sub-repticiamente, impõe a República.

7. Claro está que à maralha, sem a protecção real ou meios económicos para enfrentar os onerosos esquemas do Estado de Direito, resta pugnar através da cooperação contra a apropriação doentia, abrindo o caminho para o regresso do rei.

Nau

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