segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Nº. 1040 - Doiutrina Cooperativa


1. O cooperativismo não é uma alternativa face à corrente liberal ou socialista, mas a terceira via.

2. Bastas vezes tem aqui sido chamada a atenção para o facto do liberalismo - advogando a liberdade política, civil, económica, religiosa e outras coisas mais - apenas servir de capa ao domínio da burguesia dos fartos haveres, alcandorada no Estado de Direito e no regímen republicano.

3. Por outro lado, o socialismo - sistema político-económico que preconiza, respectivamente, a direcção e domínio do Estado republicano nos bens de produção e consumo, e uma nova distribuição das riquezas com a abolição das classes sociais - tendencialmente se apoia numa minoria política cripto-burguesa dirigente.

4. Tanto a doutrina liberal como a socialista caminham inexoravelmente para uma direcção política tecnocrática, em que a população é reduzida a números e os funcionários públicos - mormente das secretarias de Estado, onde os assuntos são tratados por escriturários e dependem da assinatura de diversos altos funcionários - pontificam.

5. Quer os plutocratas (que influenciam o governo através do controlo dos bens de produção e consumo), quer os tecnocratas (que preponderam na organização política e social do Estado) apenas procuram justificar a sua indisponibilidade, mantendo mão férrea nas cadeiras do poder.

6. A terceira via firma-se no espírito cooperativo, apoiado na associação de produtores/consumidores com o fim de libertar os seus associados dos encargos respeitantes a lucros dos intermediários ou dos capitalistas, opondo a cooperação à apropriação insaciável.

7. Logo a comuna será a subdivisão territorial que se governa autonomicamente por via da multiplicação das cooperativas e sob a Coroa Real, subsistindo esta por consenso, sobretudo por obviar disputas sectárias no topo da comunidade.

Nau

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