quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Nº. 1021 - Prelo Real: Sebastião da Gama
1. O "Cabo da Boa Esperança" vai ganhando pó na prateleira dos livros e o poeta é vagamente celebrado.
2. Cansaço:
Não quero amar nem ser amado...
Quero ficar estúpido e cansado
a este canto, e só.
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3. Epígrafe:
Que me importa, meus versos, que vos tomem
(e eu vos tome também) por chaves falsas,
se vós me abris as portas verdadeiras?
4. Santo de António:
António! dorme... Já se acabou a tosse.
Não mais ocultarás os teus soluços,
quando passarem os rapazes
com os lábios vermelhos e saudáveis.
Dorme... Carlota vela à tua cabeceira.
("Ia tão seco o meu querido Menino!...
Mas toda gente agora fala dele;
que foi um grande Poeta ou lá o que é").
Ouve, António: sempre é verdade a Lua Nova?
e os Anjinhos? E a tua
Nossa Senhora linda?
- Diz-me que sim, mesmo se for mentira...
Eu acredito, eu acredito, António!,
e é por isso que vou vivendo ainda.
5. Minha alma abriu-se...
Que linda janela
que é a minha alma!
Não!, linda não é ela;
Lindas são as vistas
que se avistam dela.
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Que ouvidos tão finos!
Que linda janela!
Quem me compra a alma?
Quanto dá por ela?
6. Nasci p'ra ser ignorante.
Mas os parentes teimaram
(e dali não arrancaram)
em fazer de mim estudante.
........
enquanto as aulas correrem
não sentirei calafrios,
que flores, aves e rios
ignorante é que me querem.
7. Ideal burguês:
Nada mais bonito
do que ser casado.
Ter seu lar com flores,
seu lençol bordado.
Sua mulherzinha
que vele, cuidadosa
pela nossa vida
(Ai!, tantos carinhos
nem com uma rosa!...)
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Nau
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