quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Nº. 762 - Prelo Real: Palavras Cínicas
1. Albino Forjaz de Sampaio (19/1/84 - 13/3/49) foi o autor do livro mais vendido em Portugal no século passado - Palavras Cínicas - que, à morte do escritor/jornalista, contava com 46 edições.
2. Mordaz e provocador, tanto como jornalista asiim como autor da referida obra, Albino _Forjaz de Sampaio iniciou a sua carreira literária aos 16 anos, apadrinhado por Fialho de Almeida e Brito Camacho.
3. Claro que o livro "Palavras Cínicas" fez escândalo no seio de uma sociedade pachorrenta e confessional pelos ataques à moral vigente e, sobretudo, pelas picardias anti-clericais, tão em voga nos antros subversivos de então.
4. Pelas provas dadas, "Palavras Cínicas" foi o livro que ninguém leu, escandalizando uns pela ousadia dos temas e palavras empregadas, rindo outros à socapa, esgotando o autor esta veia literária com as obras "Crónicas Imorais", "Prosa Vil", "Cantárias e Violetas", "Filósofo e Moralista".
5. A partir da segunda década do Séc. XX, Albino Forjaz de Sampaio, embora com a mesma segurança na escrita e bom humor, dedicou-se à história da literatura e à investigação do teatro português dos Séc. XVII, XVIII, bem como do início do Séc. XIX, tendo merecido, por tais trabalhos, o título de Sócio Honorário da Academia das Ciências de Lisboa.
6. Convertido ao nacionalismo pela mão de António Ferro, o irrequieto autor das "Palavras Cínicas" publica a sua obra monumental "História Ilustrada da Literatura Portuguesa", por volta dos anos 30, consagrando-se como homem de esquerda na fase I e de direita na fase II.
7. As citações das obras provocatórias deste autor são várias, fazendo parte do anedotário português a impertinência do viajante de combio que, procurando manter o parceiro acordado, martelava a frase: "o sono é a ante-câmara da morte", Vitor Hugo, a que o outro respondeu: "vá prá puta que o pariu", Albino Forjaz de Sampaio.
Nau
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