segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Nº. 745 - Doutrina Cooperativa


1. Um frade arrábido, na sua peregrinação habitual pela serra, deparou-se, certo dia, com o jovem rei D. Sebastião e respectivo séquito em vilegiatura por aquelas bandas.

2. D. Sebastião impressionado pela figura modesta do anoso frade chegou à fala com este questionando-o pela razão do santo homem se encontrar munido com uma vara aguilhada "ferindo a terra de Deus".

3. Como todo mundo tem presente, era prática naquele tempo os peregrinos fazerem as suas caminhadas arrimados a um varapau, não só para se apoiarem, bem como para se defenderem dos "amigos do alheio".

4. Entendendo as palavras do rei como um remoque, o bom velho apressou-se a justificar a agressiva vara aguilhada como instrumento eficaz para afastar canídeos rabiosos, além de um bom apoio para as suas caminhadas.

5. Todo o ser humano é opinativo, sobretudo acerca da atitude dos outros, e, não fugindo à regra, o esperançoso rei D. Sebastião logo aconselhou o bom frade a usar algumas exprssões latinas para afugentar os cães, em vez do ferrado varapau.

6. Agradeceu o frade efusivamente as sábias palavras do rei que, de certo, as utilizaria num eventual ataque de canídeos, porém continuaria a levar o seu varapau por cautela, no caso do cão rabioso não estar familiarizado com tais expressões latinas.

7. Também a prática cooperativa dispensa o latim, isto é, a elaborada doutrina cooperativista para as suas actividades, sublimando, por norma, o fundamento da cooperação.

Nau

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