segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Nº. 464 - Portal da Cidadonia
1. "Segundo a opinião de muitos, o homem que não lê é uma espécie de tristíssimo paria, sem patria, incapaz de preencher logar no mechanismo de divisão do trabalho social, sem faculdade de formular juizo".
2. "O recruta português chega, em regra, ao regimento num estado mental e moral muito próximo da vida vegetativa. É um homem? Anthropologicamente é. Tem vida e figura humana. É um cidadão? absolutamente não é. Não sabe ler: é portanto, uma creatura desarmada para a concorrência vital".
3. "Do seu país, das tradições do seu país, das alegrias e dores soffridas em commum numa continuidade historica de sete seculos, do porquê da sua categoria de português, nada sabe. Para elle, a patria é a aldeia , o presbytério, o cura; é uma unidade geographica de meia dúzia de metros quadrados, povoada por meia dúzia de pessoas absolutamente indifferentes a ideias, aspirações, sonhos, coleras, agonias e jubilos nacionaes".
4. "Em que se distingue esse homem da terra, do trigo, do milho, da cepa, do escalracho, da gramma, da couve? Em fallar? Que importa, se nada diz". Assim comentava e transcrevia alguns textos da imprensa da época, na ortografia original, Adolpho Coelho, na obra "Cultura e Analfabetismo".
5. Não resisto à tentação de transcrever a conclusão final do referido autor da dita obra: "A julgar pelo que se dá na Allemanha, conclue-se que não só é insufficiente o conhecimento da leitura e da escrita, mas até uma instrução escolar bastante desenvolvida, ainda que generalizada de modo completo a um povo, para arrancar, uma parte muito considerável d'elle a condições de grande atraso moral e intellectual".
6. Vale a pena ainda transcrever a parte de introdução que António Sérgio fez à edição de 1910 da obra "Cultura e Analfabetismo": "Nem Herculano, procurando fazer compreender há mais de setenta anos que ler e escrever não são instrução definitiva, mas um dos meios de a alcançar, nem o snr Adolpho Coelho com os seus Estudos, parece terem abalado a superstição do Alfabeto entre as pessoas alfabetas da nossa terra".
7. Mais palavras, para quê? Bom é reflectir um pouco acerca deste assunto.
Nau
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário