quinta-feira, 10 de maio de 2012

Nº. 179 - Deus, Pátria, Rei (I)


1. Sem dúvida que é a falar que as pessoas se entendem, pois é através da linguagem que os humanos ultrapassam a ignorância original.

2. Os outros animais limitam-se a pipilar, rugir, uivar, produzindo singelas vibrações sonoras, tal como os homens primitivos quando transmitiam entre si sinais de ameaça, perigo ou mera satisfação.

3. Por outro lado, a comunidade rudimentar apenas conhecia a lei do mais forte que os protegia e os disciplinava, complementada pela experiência dos mais velhos que, estreitando os laços entre si, seria o fundamento da religião.

4. Originalmente os republicanos (entenda-se, a burguesia serventuária) eram aqueles que, não fazendo parte da minoria patrícia que em tempos confrontaram agora apoiavam, a fim de irradicar a figura do Chefe, porquanto a multiplicação desta permitir uma vasta engenharia de favores.

5. Logo, o movimento republicano de raiz europeia, isto é, anti-monárquico, procurou minar a figura do rei e da religião sua aliada, exaltando a pátria, não como bairrismo natural, mas como algo assente num passado mítico de referência, se possível sem rei.

6. Num aparente confronto entre velhas tradições e futuros radiosos, os corifeus republicanos ganharam pontos esgrimindo a triologia Liberdade, Igualdade, Fraternidade, à qual se opunha a de Deus, Pátria, Rei.

7. Porém, a comunidade dos nossos dias nada tem a ver com a pátria mítica republicana, compreendendo a dita comunidade novos elementos de origens váriadas que asseguram o seu futuro, sob a possível triologia cooperativista de Liberdade, Equidade, Solidariedade, que predispõe o regresso do Rei.

Nau

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