sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
Nº. 5966 - Luta Popular
1. Vamos lá ver o que se entende por luta popular. Em meados do século transacto, a ralé, os engravatados e as sumidades de presumidos fartos cabedais espelhavam a sociedade lusa.
2. Como é óbvio, os primeiro sobreviviam pela força braçal, aconchegados em numerosas famílias irregulares mas com elevado número de crianças que, vadiando ao deus-dará, ensopados com as primeiras letras nos bancos das escolas, sobretudo nas grandes urbes, para melhor acesso à incorporação no exército como magalas e serventuários das altas patentes.
3. Maioritariamente rural, os jovens ora se aventuravam como trolhas na construção civil das grandes cidades, ora emigravam como mão-de-obra barata para a reconstrução da Europa, sendo os mais hábeis puxados para profissões qualificadas e, sobretudo, de melhor remuneração.
4. Os engravatados, tendo tido acesso ao ensino secundário, ingressavam como amanuenses nas firmas comerciais; como funcionários públicos e/ou aventuravam-se como incipientes empresários, avançando alguns destes (uma minoria) para cursos de alto gabarito e até universitários.
5. Claro que os filhos das famílias de presumíveis fartos cabedais gozavam de vida mais folgada, com maior facilidade de acesso às instituições de ensino privado e, como cereja em cima do bolo, lugares profissionais assegurados pelo patriarca da família.
6. Após o 25A, a população mais jovem da Europa ocidental nos anos 60 tornou-se numa das mais velhas; de governo autocrático, passámos a um regime partidocrático, todavia mantendo-se: a ralé; os desengravatados (agora com barbas aparadas) e os fartos cabedais de proveniência desconhecida e/ou sigilosa.
7. Logo, a luta popular consiste na multiplicação das unidades cooperativas; na destruição do Estado impositivo, reduto da burguesia republicana dominante; no regresso do soberano consensual, hereditário e vitalício.
Nau
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