sexta-feira, 30 de junho de 2017

Nº. 2051 - Luta Popular


1. Sempre os barões, bem com o as ordens religiosas, procuraram reservar para si o melhor naco de terra arável que lhes permitia o sustento e distinta posição social.

2. Claro que ao apossarem-se de qualquer território o autor de tal proeza assumia a responsabilidade de angariar a correspondente força braçal para desbravar e defender a posse do mesmo, jamais dispensando o consenso dos seus pares.

3. Sendo o património da Coroa transmitido intacto ao primogénito em estrito respeito pelo princípio da sucessão hereditária, a figura do rei tornou-se o garante das apropriações e/ou doações efectuadas, bem como das liberdades daqueles que trabalhavam à jorna.

4. Estes foram os princípios do Reino de Portugal que, dos desaires militares sofridos nas disputas com os reinos cristãos ao norte, volveu as armas em sentido contrário e, em duas ou três gerações, atingiu a fronteira natural sul.

5. A carta régia que constituía o concelho - regulando o processo da administração, indicando os limites do território e regalias concedidas aos seus dirigentes, incluindo o direito de nomear procuradores junto do soberano - foi o embrião do terceiro estado.

6. Como é óbvio, a democracia portuguesa consolida-se através do dialogo em que as partes envolvidas - clero, nobreza e povo - expõem os seus problemas e resolvem os seus diferendos nas Cortes convocadas pelo rei.

7. Nas assembleias contemporâneas o que prevalece são as disputas partidárias, estas susceptíveis de serem atenuadas por um forte movimento cooperativo - desafio realista e verdadeiramente popular.

Nau

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Nº. 2050 - Prelo Real



                    Silêncio


          Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;
          redoma de cristal este silêncio imposto.
          Que lívido museu! Veludo, sepulcral.
          Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!

          Um hálito de medo embaciando o vidrado
          dá-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.
          Na silente armadura, e sobre si fechado,
          ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.

          Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós
          que a própria voz do mar segue o risco de um disco...
          Não cessa de tocar; não cessa a sua voz.
          Mas já ninguém pretende exp'rimentar-lhe o risco!


                                        David Mourão-Ferreira
                                         in "Tempestade de Verão"



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Nº. 2049 - RAC


1. Os jornalistas portugueses são a única classe profissional que goza dois períodos irregulares de férias.

2. Claro que o descanso dos ditos profissionais será tão longo quanto à vivência do governo que decidiram apoiar ou lhe não são afectos.

3. A distinção ente os não apoiantes e os que não gozam da simpatia governamental é muito ténue, talvez mais do estilo.

4. Normalmente os jornalistas lusos são de uma ignorância enciclopédica, porém cumpre-lhes a missão de explicar ao grande público o inexplicável.

5. São uma espécie de comentadores de jogos de futebol em que tudo se justifica, passando ao largo dos escândalos e das incontornáveis fraudes.

6. Excepções são louváveis, embora limitadas àqueles que, por serem homens de letras consagrados - exemplo, Miguel Esteves Cardoso - são de uma verticalidade indubitável.

7. Esperamos que o fumo da tragédia de Pedrógão se esteja a esvaecer, a fim de que o branqueamento das responsabilidades se verifique antes do próximo acto eleitoral.

Nau

terça-feira, 27 de junho de 2017

Nº. 2048 - Doutrina Cooperativista


1. A personalidade jurídica da cooperativa agrícola, artesanato, consumo, cultura, pescas, produção operária, serviços (produtores e utentes), solidariedade social poderão ser adquiridas por instrumento particular.

2. O Código Cooperativo, art.º n.º 1, determina "A constituição das cooperativas do 1º grau deve ser reduzida a escrito, salvo se a forma mais solene for exigida para a transmissão dos bens que representem o capital social da cooperativa".

3. Porém, a escritura pública é exigida para as cooperativas dos seguintes ramos: comercialização;crédito; ensino; habitação e construção; uniões, federações e confederações; régies cooperativas, i.e., cooperativas de interesse público.

4. Os estatutos da cooperativa devem compreender: a denominação; a sede social; o objectivo social; o capital social; a quota de cada cooperador; as normas de funcionamento, bem como a composição dos órgãos directivos.

5. O certificado de admissibilidade e cartão provisório deverão ser solicitados ao RNPC - Registo Nacional de Pessoa Colectiva, tão cedo quanto possível.

6. Após a obtenção dos documentos mencionados no paragrafo anterior, os mesmos deverão ser registados na Conservatória de Registo Comercial.

7. Qualquer dúvida acerca destes assuntos poderá ser esclarecida pela CASES - Cooperativa António Sérgio para a Economia Social.

Nau

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Nº. 2047 - Portal Comunalista


1. No tempo da ominosa salazarquia esta controlava despoticamente o jornalismo.

2. Hoje, tudo é diferente, pois o jornalismo é despundonoradamente manipulado pela geringonça.

3. Durante mais de 40 anos, a polícia política do Estado Novo suprimia, com lápis azul e respaldo prisional, dissensões inconvenientes

4. A burguesia republicana dominante, rivalizando em técnicas e igual período do antigo Estado Novo, silencia os jornalistas que não sejam da cor prevalecente.

5. Claro que as engraçadinhas, tentando ganhar a simpatia do território róseo no próximo acto eleitoral, lamentam aqueles que tombaram no recente incêndio, mas sem a contumácia verbal dos tempos idos em que foram registados apenas danos materiais.

6. Decerto que as exaustivas investigações em curso irão distribuir o mal pelas aldeias e, provavelmente, Miguel de Vasconcelos será, uma vez mais, indigitado como único réu convicto, para salvar a cara aos nossos governantes.

7. Tarda um jogo de futebol a fim de desanuviar o ambiente e entreter os opiniáticos jornalistas.

Nau

domingo, 25 de junho de 2017

Nº. 2046 - Psyche


1. Para alguns a felicidade é contentamento ou mero bem-estar; para outros bom êxito ou elaborada ventura.

2. Saciar o apetite de comer é dar-se por satisfeito; realizar o almejado projecto é atingir com êxito os objectivos assumidos.

3. Para alguns, o simples facto de alimentar-se exige disponibilidades físicas e/ou materiais, bem como oportunidade ou singela determinação.

4. O masochista encontra prazer na violência e actos de crueldade exercidos por outrem ou infligidos em si próprio.

5. Nietzsche chegou a argumentar que o sofrimento e o desconforto seriam a condição sine qua non para atingir o prazer.

6. A flagelação grata aos fideístas vai na linha schopenhauriana em que o homem prudente deve procurar a liberdade na dor que não no prazer gratuito.

7. Porém, a conquista da felicidade consiste em superar o adverso pela boa utiliação deste.

Nau

sábado, 24 de junho de 2017

Nº. 2045 - Fim de Semana 25


1. A fome de imortalidade faz esquecer a capacidade de pensar abstractamente e os processos físicos impacientam-se com os conceitos científicos. Sem dúvida que a conquista da felicidade é sistematicamente adiada.

2.Da tradição, bem como do vanguardismo político, deveremos fomentar a adopção de tudo que possa consolidar uma Economia Social, na linha do CMC - não pretendemos insurreições mas uma vida com dignidade.

3. Na prática, liberais e socialistas comportam-se como anjinhos perante Deus Capital, à semelhança das multíplice seitas religiosas, os respectivos caudilhos orquestram jogos de guerra entre si por supremacias que duram pouco mais de um século, com muito sofrimento e danos colaterais, porém largo entusiasmo clubístico.

4. "Perder tempo não é como gastar dinheiro. Se o tempo fosse dinheiro, o dinheiro seria tempo. Não é. O tempo vale muito mais do que dinheiro. Quando morremos acaba-se o tempo que tínhamos. Quando morremos, o que mais subsiste e insistente é a quantidade de coisas que continuam a existir...".Miguel Esteves Cardoso dixit.

5. Aparentemente, a produção em larga escala iria satisfazer as necessidades da crescente população do Planeta Azul

6. Porém, interesses lucrativos orientam a dita produção para os mercados onde o poder de compra dos consumidores seja mais compensadora, através de financiamentos com pagamentos diferidos.

7. Não deverá subsistir qualquer dúvida - a Economia Social é a resposta adequada às maquinações de liberais e socialistas, súbditos do supracitado Deus Capital.

Nau

                    

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Nº. 2044 - Luta Popular


1. Aparentemente, a produção em larga escala iria satisfazer as necessidades da crescente população do Planeta Azul.

2. Porém, interesses lucrativos orientam a dita produção para mercados onde o poder de compra dos consumidores seja mais compensadora.

3. Tanto liberais como socialistas, para fomentar a procura de bens e serviços, aumentam a dívida pública mediante a contracção de empréstimos.

4. Claro que o problema de défices orçamentais e da dívida pública  terão que ser regularizados dentro de um determinado prazo, quando o governo contraente já deu à perna.

5. Naturalmente que as urgências e o interesse público obrigam a penosos endividamentos governamentais, até porque os apaniguados são gente de grandes apetites, e reformas por assento em duas legislaturas são coisas de pouca monta.

6. Sem dúvida que a partidocracia é o regimen almejado pelos plutocratas uma vez que estes, nas dissenções e fracturas políticas, não têm nada a perder.

7. Logo, a Economia Social de feição cooperativista é a resposta adequada às maquinações, de liberais e socialistas.

Nau

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Nº. 2043 - Prelo Real



          O Tempo Vale Muito Mais do que o Dinheiro


Perder tempo não é como gastar dinheiro. Se o tempo fosse dinheiro, o dinheiro seria tempo.

Não é. O tempo vale muito mais do que dinheiro. Quando morremos acaba-se o tempo que tivemos. Quando morremos, o que mais subsiste e insiste é a quantidade de coisas que continuam a existir, apesar de nós. O nosso tempo de vida é a nossa única fortuna. Temos o tempo que temos. Depois de ter acabado o nosso tempo, não conseguimos comprar mais. Quando morreu o meu pai, foi-se com ele todo o tempo que ele tinha para passar connosco. As coisas dele ficaram para trás.

Sobreviveram. Eram objectos . Alguns tinham valor por fazer lembrar o tempo que passaram com ele - a régua de arquitecto naval, os relógios - quando ele tinha tempo.

As pessoas dizem "time is money" para apressar quem trabalha. A única maneira de comprar tempo é de precisar de menos dinheiro para viver, para poder passar menos tempo a ganhá-lo. E ficar com mais tempo para trabalhar no que dá mais gosto e para ter o luxo indispensável de poder perder tempo, a fazer ninharias e a ser-se indolente.

A ideologia dominante de aproveitar o tempo impede-nos de perder esses tempos. Quando penso no meu pai, todas as minhas saudades são de momentos que perdi com ele. Uma noite, numa cabana no Canadá, confessou-me que o único filme de que gostava era "Um Pexe Chamado Wanda". Todos os outros eram uma perda de tempo. Perdemos a noite inteira a falarmos e rirmo-nos disso. Ainda hoje tem graça.

                                          Miguel Esteves Cardoso
                                 in "Jornal Público" - "6 Dezº 2011

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nº. 2042 - RAC


1. Recomendações por interpostas pessoas são frequentes, umas por se sentirem feridas nas suas convicções íntimas; outras pela doutrina monárquica ser basicamente defendida por meros passadistas.

2. Ora não temos qualquer dúvida que todas as religiões são fraude, cultivadas por pessoas que aderem aos dogmas de uma doutrina religiosa considerada revelada, exagerando a função da fé quanto ao conhecimento da verdade, baseada em documentos apócrifos, sobrepondo-se estes à razão.

3. Claro que a existência de vários credos religiosos dão azo a viciosos confrontos, estimulados por aqueles que, da irracionalidade de alguns, procuram obter vantagens, tanto políticas como materiais, sonhando aumentar o seu poder pessoal, quiçá uma hegemonia de povo ou nação sobre outros povos ou nações.

4. Por outro lado, os soberanos a prazo dos regimes ditos republicanos pretendem macaquear a instituição monárquica, tanto na postura como na atitude destes  em relação a ministros caídos em desgraça, servindo as divisões parlamentares para a intrigada habitual.

5. Na prática, liberais e socialistas comportam-se como anjinhos perante o Deus Capital e, à semelhança das multíplices seitas religiosas, os respectivos caudilhos orquestram jogos de guerra entre si por supremacias que duram pouco mais de um século, com muito sofrimento e danos colaterais, porém largo entusiasmo clubístico.

6. O Império Amarelo dá largas passadas a fim de ultrapassar o Tio Sam na cobrança de dividendos e este tem consciência que as alianças são para meter no dedo, embora nem sempre os dedos façam gestos decorosos e, tal como a Santa Rússia em relação às estepes mongólicas, bom é cada um cuidar dos seus interresses.

7. Avizinha-se uma era de rápidos avanços científicos. Bom será cada um de nós optar pela via cooperativista para proteger o seu sustento, bem como da comuna em que está integrado.

Nau

terça-feira, 20 de junho de 2017

Nº. 2041 - Doutrina Cooperativista


1. O combate ao capitalismo avassalador - tanto liberal, como socialista - só poderá ser racionalmente levado a cabo por um forte movimento cooperativista.

2. Pela enésima vez sublinho que o objecto do cooperativismo é satisfazer as necessidades económicas, sociais e culturais dos associados num empreendimento de propriedade colectiva - autogestoniário e auto financiado.

3. Segundo o Art.º 2º do Código Cooperativo (Capítulo I, Disposições gerais) "As cooperativas são pessoas colectivas autónomas, de livre constituição, de capital e composição variáveis (...) sem fins lucrativos".

4. No âmbito do artigo citado no parágrafo anterior, "através da cooperação e entreajuda dos seus membros as cooperativas (...) podem realizar operações com terceiros, sem prejuizo de eventuais limites fixados pela leis próprias de cada ramo".

5. De acordo com o Art.º 7º do Capítulo I acima mencionado, as cooperativas "desde que respeitem a lei e os princípios cooperativos, podem exercer qualquer actividade económica".

6. "Os títulos representativos do capital social da cooperativas (Art.º 2º, Cap. III) têm um valor nominal mínimo de 5 euros ou um seu múltiplo (...) podem ser representados sob a forma escritural, aplicando-se aos títulos escriturais o disposto no título II do Código dos Valores Mobiliários".

7. "A realização do capital (Cap. III, Art.º 21º) poderá ser efectuado em dinheiro, bens ou direitos, trabalhos ou serviços (...) as entradas mínimas previstas na legislação complementar aplicável aos diversos ramos do sector cooperativo são realizadas em dinheiro, no montante correspondente a, pelo menos, cinquenta por cento do seu valor".

Nau

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Nº. 2040 - Portal Comunalista


1. As causas, dotadas de força própria, monocordicamente comunicam sem produzir qualquer efeito.

2. O leitmotiv é a tradição - conjunto de hábitos ancestrais transmitidos de geração em geração - supostamente imutável, como de cânone religioso se tratasse.

3. Claro que o vínculo ao passado não inibe os seus seguidores de desfrutarem dos modernos equipamentos, máquinas electrónicas inclusive.

4. Sem dúvida que da tradição - bem como do vanguardismo político - deveremos fomentar a adopção de tudo o que possa consolidar uma Economia Social, na linha do CMC.

5. Ora, alvitrar um Reino Cristão, "embora tolerante com outros credos da mesma sorte", é tão disparatado como a República que nos tem sido imposta. 

6. Aos tradicionários ferrenhos bom é lembrar que já existe uma tradição republicana na prática lusa, embora baseada em 16 anos de atrocidades, 40 anos de salazarquia e outros tantos de burguesia conluiada com plutocratas corruptores. 

7. Logo, não pretendemos insurreições políticas, mas uma Economia Social, razoável e consistente.

Nau

domingo, 18 de junho de 2017

Nº. 2039 - Psyche


1. Tudo que existe no espaço e no tempo é constituído de matéria e energia físicas.

2. Logo, a matéria é algo que ocupa espaço, que afecta os sentidos e tem massa e peso, susceptível de receber formas e agir de modo deliberado.

3. Tudo que é capaz de produzir actividade ou trabalho é designado por energia, sendo por vezes possível distinguir a mental da física no ser humano.

4. Por outro lado, sendo o espaço uma extensão indefinida e o tempo parte da duração verificada por algum acontecimento, a vida é o tempo que decorre desde o nascimento até à morte.

5. A fome de imortalidade faz esquecer a capacidade de pensar abstractamente e os processos físicos impacientam-se com os conceitos científicos.

6. Viver seria a caminhada para a satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais do homem, porém o maná é a grande expectativa.

7. Sem dúvida que a conquista da felicidade é sistematicamente adiada.

Nau

sábado, 17 de junho de 2017

Nº. 2038 - Fim de semana 24


1. As perturbações mentais, sobretudo a esquizofrenia e a depressão - doenças muito complicadas - são praticamente incuráveis em governantes ou meros dirigentes políticos.

2. Pois a necessidade de se afirmar como pessoa entre os mais resulta de uma inquietação natural que pela notoriedade sacrifica tempo e dinheiro.

3. Boa formação intelectual e física é possível com uma equilibrada concentração no estudo ou no trabalho, sem atropelos ou fome de imortalidade.

4. Fomentar a discórdia é a única via da burguesia republicana dominante se afirmar, revezando-se nas cadeiras do poder sob a designação de liberais e/ou socialistas, num folclorismo todo de interesses particulares feito.

5. Respeitar a figura consensual do rei não é sinónimo de forçada subserviência tendo presente que até o soberano a prazo estadunidense é tratado por "sua excelência" embora trampa, digo, Trump.

6. "No decorrer do tempo os anos correm, deslizam como água, até que um dia um possível leitor pega num livro, lê e sorri da construção do verso (pois) é tudo quanto ficou - é tudo que resta - de um ser que vagueou entre outros seres pela Terra". António Gedeão dixit.

7. A luta popular - liberta de quaisquer compromisso liberais, socialistas e/ou fideístas - deverá ser orientada para a prática da autogestão e da autonomia financeira implementadas nas unidades cooperativas, onde os associados procuram satisfazer as suas necessidades económicas, sociais e culturais.

Nau

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Nº. 2037 - Luta Popular


1. A luta popular - aquela do agrado do povo - tornado um lugar-comum, apenas serve para confrontos partidários, acicatando disputas politiqueiras.

2. A frente popular ou o governo do povo é mais do mesmo, servindo tão-somente para concentrar o poder de decisão num grupo minoritário, fascistóide ou comunistóide, consoante a inclinação política.

3. Claro que a arregimentação à direita corresponde a práticas conservadoras (pátria, família, património); no campo oposto se perfilam os adeptos do centralismo burocrático (pátria, família, património) em que os assuntos são tratados por escriturários e dependem da assinatura de vários funcionários.

4. Tanto as normas de procedimento adoptadas pela direita, como as directrizes traçadas pela esquerda obedecem às orientações do grupo minoritário que tem assento nas cadeiras do poder, dançando a maralha de acordo com o grupo musical da burguesia republicana dominante.

5. Logo, a luta popular - liberta de quaisquer compromissos liberais, socialistas e/ou fideístas - deverá ser orientada para a prática da autogestão e autonomia financeira, onde os associados procuram satisfazer as suas necessidades económicas, sociais e culturais.

6. Bom é ter presente que existem muitas cooperativas que apenas exibem a titularidade mas não funcionam como tal  por não obedecerem aos fundamentos APC - amizade, proximidade, capacidade - ou sofrerem um inveterado desequilíbrio estrutural.

7. A luta popular deverá ter como padrão os fundamentos mencionados no parágrafo anterior, estes consubstanciados nas respectivas federações e confederações.

Nau

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Nº. 2036 - Prelo Real


                      Poema do futuro

     Conscientemente escrevo e, consciente,
     medito o meu destino.

     No declive do tempo os anos correm
     deslizam como a água, até que um dia
     um possível leitor pega num livro
     e lê,
     lê displicentemente, 
     por mero acaso, sem saber porquê.
     Lê, e sorri.
     Sorri da construção do verso que destoa 
     no seu diferente ouvido; 
     sorri dos termos que o poeta usou
     onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
     e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
     do latejar antigo
     daquele corpo imóvel, exhumado
     da vala do poema.

     Na História Natural dos sentimentos 
     tudo se transformou.
     O amor tem outras falas, 
     a dor outras arestas,
     a esperança outros disfarces,
     a raiva outros esgares.
     Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
     exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
     é tudo quanto fica,
     é tudo quanto resta
     de um ser que entre outros seres 
     Vagueou pela Terra.

                              António Gedeão
                        in  "Poemas Póstomos"

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Nº 2035 - RAC


1. O apontamento de ontem foi mais espontâneo do que circunspecto.

2. Sem dúvida que a partidocracia não olha a meios para atingir os seus objectivos, i.e., respigar a fome de poder dos seus caudilhos.

3. Logo, é compreensível que os plutocratas esportulem e apadrinhem factotums em obras de fachada dispensáveis, mas muito lucrativas.

4. Cidadão e patriota são termos de recurso de mações que assim pretendem erradicar o vínculo tradicional do súbdito com o seu soberano hereditário e vitalício.

5. Aquele que está sujeito à jurisdição da comunidade em que se encontra integrado reconhece naturalmente o que ocupa o primeiro lugar entre iguais.

6. Respeitar o próximo não é sinónimo de subserviência tendo presente que até o soberano a prazo estadunidense é tratado por "sua excelência" embora trampa, digo, Trump.

7. Termino reiterando a minha convicção nos princípios do CMC - Cooperativismo Monárquico Comunalista.

Nau

terça-feira, 13 de junho de 2017

Nº. 2034 Doutrina Cooperativista


1. Almejando por uma comunidade mais sã e justa, urgente é combater a burguesia republicana dominante.

2. Para a dita burguesia, fomentar a discórdia é a única via desta governar, revezando-se nas cadeiras do poder sob a designação de liberais e/ou socialistas, num folclorismo todo de interesses particulares afeito.

3. Claro que os ciclos eleitorais de pão e circo são financeiramente assistidos pelos imaculados plutocratas que disponibilizam as suas riquezas desde que os respectivos lucros lhes sejam generosamente ressarcidos.

4. A dicotomia do bem e do mal é exemplarmente cultivada pela burguesia republicana dominante no estatuto de cidadania, direitos do habitante urbano versus ao rural; patriota que serve o lugar onde nasceu que não a comunidade onde se integrou.

5. Logo, somos cooperativistas porquanto pugnamos por um sistema associativo com base nas unidades cooperativas destinadas a satisfazer as necessidades económicas, sociais e culturais dos seus associados, destarte combatendo o capitalismo burguesoide.

6. Somos comunalistas uma vez que os residentes num território geograficamente delimitado não é foro exclusivo de naturais, mas sim daqueles que participam na autogestão e no processo autofinanceiro da sua comuna.

7. Portanto, não somos cidadãos no gozo de direitos civis e políticos tutelados por plutocratas inconfessos, mas súbditos da Coroa Real que todos abarca, firmes na transmissão de valores solidários cooperativistas.

Nau

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Nº. 2033 - Portal comunalista


1. O portal é mantido escancarado. Porém, aqueles que ao largo passam fingem entender o que não entendem.

2. A necessidade de se afirmar como pessoa entre os mais resulta de uma inquietação natural que pela notoriedade sacrifica tempo e dinheiro.

3. Boa formação intelectual e física é possível com uma equilibrada concentração no estudo ou no trabalho, sem atropelos ou fome de imortalidade.

4. Passar de uma racionalidade dogmática a uma racionalidade crítica é projectar a imagem da razão como técnica ou faculdade de entendimento.

5. Quanto mais responsável mais livre o homem se projecta no futuro, a par daqueles que, pela via solidária, pedra a pedra consolidam o porvir.

6. Sobretudo importa passar do estudo estático das teorias científicas cooperativistas ao estudo dinâmico das urgências que importa satisfazer.

7. Somos o futuro que muitos pretendem adiar, inexoravelmente multiplicando corruptores uma vez que, sem estes, se desmotivariam os corruptos.

Nau

domingo, 11 de junho de 2017

Nº. 2032 - Psyche


1. As perturbações que afectam o encéfalo poderão ter resultado antes ou durante o parto, tais como o síndrome de Down e o atraso mental.

2. No sistema nervoso poderão ser verificados distúrbios eléctricos sendo estes a causa normal das frequentes enxaquecas e até da epilepsia.

3. Doenças infecciosas, nomeadamente a meningite e a encefalite são causadas por micróbios tanto do reino vegetal como do reino animal, incluindo os virus filtrantes.

4. Concussões violentas - abalos físicos, choques nervosos, emoções súbitas - poderão causar lesões traumáticas.

5. O AVC resultante de bloqueios da circulação sanguínea são possíveis em qualquer idade, porém mais frequentes em idosos.

6. Claro que o tumor cerebral - saliência circunscrita e desenvolvida naquela parte do corpo - poderá ser cirurgicamente extirpado. 

7. Porém, as perturbações mentais, sobretudo a esquizofrenia e a depressão - doenças muito complicadas - são praticamente incuraveis em governantes ou meros dirigentes políticos.

Nau

sábado, 10 de junho de 2017

Nº. 2031 - Fim de Semana 23


1. Quando, pela calada da noite, a dificuldade em dormir se verifica, bom é sentar-se de pernas cruzadas, punhos fechados sobre estas, semicerrando as pálpebras de modo a visualizar a ponta do nariz.

2. Basta uns 30 minutos deste exercício, alternado com o cruzar dos dedos atrás da cabeça, apoiando as palmas das mãos na nuca, enquanto respira profunda e regularmente.

3. Tanto os liberais como os socialistas entretidos com o menos Estado ou o mais Estado, vão dando o flanco e a mãozinha para os plutocratas resfolegarem na exploração dos mais, a coberto de votações anódinas.

4. "As caixas de crédito agrícola mútuo são são instituições de crédito, sob a forma cooperativa, cujo objecto é é o exercício de funções de crédito agrícola em favor dos seus associados, bem como a prática dos demais actos inerentes à actividade bancária, nos termos do diploma oficial em vigor".

5. Uma vez que é o poder da riqueza e do dinheiro que condiciona os actos governamentais, o sectarismo é estimulado pelos plutocratas que na divisão partidária ganham maior vantagem negocial.

6. Os demagogos, à semelhança dos deuses, houve-os na Grécia antiga, houve-os em Roma. Onde estarão agora, abscônditos mas vivos?"

7. Assumir responsabilidades é arriscado, pelo que a adestrada maioria (populacho+média burguesia) prefere delegar o poder de decisão a terceiros.

Nau

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Nº. 2030 - Luta Popular


1. A luta continua, contra os preconceitos e a preconceituosa burguesia republicana dominante.

2. Proventos herdados e/ou adquiridos, logo o burguês se pressupõe acima da ralé - o populacho - almejando atingir a plataforma do ricaço.

3. Claro que o homem de fartos haveres facilmente prescinde tanto de valores intelectuais como morais certo de facilmente contornar o poder instituído.

4. Resistir às manobras dos plutocratas não é fácil, uma vez que liberais e socialistas apostam na produção e no consumo, abocanhando as inerentes vitualhas.

5. Logicamente, a satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais de cada um, pela via solidária do cooperativismo, seria a opção adequada.

6. Porém, assumir responsabilidades é arriscado, pelo que a adestrada maioria (populacho+média burguesia) prefere delegar o poder de decisão a terceiros.

7. Quo usque tandem abutere, res burguensium, patientia nostra?

Nau








quinta-feira, 8 de junho de 2017

Nº. 2029 - Prelo Real




                              Os Deuses


                 Houve-os na Grécia antiga,
                  houve-os em Roma.

                 Onde estarão agora,
                  abscônditos mas vivos?

                 Seu exemplo nos falta.
                 -: Somos pálidos, tristes, receosos.

                 Onde estarão, que apenas 
                  sabem deles as árvores.



                                 Sebastião da Gama
                                    in "Campo Aberto" 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Nº. 2028 - RAC


1. O partido político consiste de um grupo de pessoas unidas em ideias e actividades para a consecução de certos fins, mormente relativos aos negócios públicos.

2. A arregimentação partidária tem a nobre missão de expor com clareza opiniões, formular projectos, além de motivar acções cívicas dos seus partidários, sempre na óptica do bem comum.

3. Sem dúvida que a paixão sectária é explorada por demagogos que, mostrando-se defensores dos interesses populares, apenas procuram ganhar a simpatia dos mais para se guindarem às cadeiras do poder.

4. Uma vez que é o poder da riqueza e do dinheiro que condiciona os actos governamentais, o sectarismo é estimulado pelos plutocratas que na divisão partidária ganham maior vantagem negocial.

5. A liberdade política, civil, económica, religiosa, etc. defendida pelos liberais é indubitavelmente do agrado dos plutocratas uma vez que estes, financiando a produção e o consumo apenas se acautelam nos paraísos fiscais.

6. Os socialistas, preconizando um sistema político-económico em que a direcção e domínio do Estado é burocraticamente realizado, limitam-se a passar o controlo da produção e do investimento para as mãos de uma minoria dirigista.

7. Nós, com base nas cooperativas, combatemos o capitalismo tanto liberal como socialista, antevendo a progressiva robotização cibernética que providenciará programas governativos eficientes, enquanto a satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais seja pelos associados consensualmente realizada.

Nau 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Nº. 2027 - Doutrina Cooperativista


1. "As cooperativas são pessoas colectivas autónomas, de livre constituição, de capital e composição variáveis, que através da cooperação e entreajuda dos seus membros, com obediência aos princípios cooperativos, visam, sem fins lucrativos, a satisfação das necessidades e aspirações económicas, sociais ou culturais daqueles."

2. "As cooperativas, na promoção dos seus objectivos, podem realizar operações com terceiros, sem prejuízo de eventuais limites fixados pelas leis próprias de cada ramo."

3. "As cooperativas de produção operária, abreviadamente designadas 'cooperativas de produção', e suas organizações de grau superior regem-se pelas disposições legais e, nas suas comissões, pelas do Código Cooperativo."

4. "As cooperativas de habitação e construção e suas organizações de grau superior regem-se pelas disposições do respectivo diploma e, nas suas omissões, pelo Código Cooperativo."

5. "As cooperativas de pesca e as suas organizações de grau superior regem-se pelas disposições do respectivo diploma e, nas suas omissões, pelas do Código Cooperativo."

6. "As cooperativas de ensino, abreviadamente e suas organizações de grau superior  regem-se pelas disposições do respectivo diploma e, nas suas omissões, pelas do Código Cooperativo."

7. "As cooperativas de crédito agrícola mútuo são instituições de crédito, sob a forma cooperativa, cujo objecto é o exercício de funções de crédito agrícola em favor dos seus associados, bem como a prática dos demais actos inerentes à actividade bancária, nos termos do diploma oficial."

Nota: excertos do Código Cooperativo Português.















segunda-feira, 5 de junho de 2017

Nº. 2026 - Portal comunalista


1. O presidente norte-americano Donald John Trump tem largo número de familiares em Portugal, todos no topo da hierarquia política, denominada por Trampa.

2. Ninguém tem dúvidas quanto à capacidade política da Trampa, presente na geringonça (PS+engraçadinhas) bem como nos quadros directivos do PSD e do CDS.

3. Como não podia deixar de ser, os Dom Brúcio de Brebúcio y Iça já acrescentaram um penico às suas vetustas armas nobiliárquicas, mantendo uma assídua visita ao apontamento 286 por este ser o único que os satisfaz.

4. Marialvas, fadistas e quejandos na Trampa aduzem inegáveis afinidades, pretendendo adoptar o modus faciendi da monarquia polaca em que o soberano vitalício era eleito por um escol de notáveis.

5. Os reivindicativos tradicionalistas são ainda mais arrojados exigindo o estabelecimento de um Reino Cristão para pleitear com o Daesh um fideísmo ataviado de novas tecnologias do crês ou morres.

6. Claro que, tanto os liberais como os socialistas, entretidos com o menos Estado ou mais Estado, vão dando o flanco e a mãozinha para os plutocratas resfolegarem na exploração dos mais a coberto de votações anódinas.

7. A robotização que se avizinha apenas pela prática cooperativista poderá ser harmonizada.

Nau

domingo, 4 de junho de 2017

Nº. 2025 - Psyche


1. O relógio biológico regula a circulação da energia no corpo em função do tempo solar e lunar.

2. A discrepância horária na deslocação continental súbita torna-nos conscientes da tabela rígida à qual as nossas funções naturais estão sujeitas.

3. Os ciclos biorritmos que controlam a circulação da energia no nosso corpo variam por periodos de duas horas, atingindo os diferentes órgãos em tempos diversos.

4. As insónias, a fadiga, o fraco rendimento no trabalho poderão ser causados por alguma discrepância do fígado, sendo o exercício físico uma alternativa às mezinhas dopantes.

5. Quando a dificuldade em dormir se verifica pela calada da noite, bom é sentar-se de pernas cruzadas, punhos fechados, semicerrando as pálpebras de modo a visionar a ponta do nariz.

6. Basta uns 30 minutos deste exercício, alternados com o cruzar dos dedos atrás da cabeça, apoiando as palmas das mãos na nuca, enquanto respira profundamente.

7. Concentre toda a sua atenção no exercício, mantendo neutra a actividade mental.

Nau

sábado, 3 de junho de 2017

Nº. 2024 - Fim de Semana 22


1. Que os residentes no rectângulo extremo da Europa ocidental não abram a boca é compreensível porquanto estes, habituados ao arroto dos amesendados nas cadeiras do poder, e ao zurro dos intelectuais do futebol circense apenas se manifestam nas facções arregimentadas.

2. A Internet poderá ser o reduto, aliás o muro das lamentações onde um número crescente de curiosos rabisca alertas ou reproduz aleivosias cozinhadas por demagogos, apenas para entreter a malta, convencendo esta que estamos a viver numa democracia por delegar o poder de decisão próprio nos mesmos do costume.

3. Claro que a vivência familiar facilita a aprendizagem e esta modela o indivíduo nas orientações profissionais.

4. Porém, a prática cooperativa desenvolve valores peculiares numa associação sui generis que satisfaz as necessidades económicas, sociais e culturais dos indivíduos.

5. À semelhança daqueles que gozam do poder político também o poder espiritual poderá ser malbaratado. Logo, o que importa é a tomada de consciência responsabilizante.

6. "A medo guardo confissão, segredo, dúvida, fé. A medo - a medo tudo - que já me querem cego, surdo e mudo". José Cutileiro dixit.

7. "Portugal tem mais generais e almirantes por soldado do que todas as outras forças armadas, compreendendo 170 generais (ano 2014) que recebiam o ordenado por inteiro enquanto se mantinham inactivos na reserva".

Nau

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Nº. 2023 - Luta Popular


1. "Wikileaks revela relatório secreto norte-americano sobre Portugal - o país que compra 'brinquedos caros e inúteis' por orgulho".

2. Embora a revelação na Internet esteja datada de 6 de Julho de 2014, dúvido que tenham sido efectuadas quaisquer diligências para apurar e levar a tribunal os culpados.

3. O escabroso relatório apenas evidencia o despeito dos negociadores norte-americanos em não terem conseguido superar os jogos sujos dos seus concorrentes, pretendendo estes manter o negócio dentro da União Europeia.

4. Por outro lado, a par do dito relatório, é revelado que Portugal recebeu 9 milhões por dia (e durante 25 anos!) de metal sonante, tendo parte deste contemplado os amigalhaços do costume.

5. Alegadamente os recursos disponibilizados foram investidos em 9468 quilómetros de estradas; 26 mil milhões gastos em cursos de formação profissional; apenas 2 mil milhões foram disponibilizados para o abate de embarcações de pesca.

6. Segundo o relatório norte-americano "os militares (portugueses) têm uma cultura de statu quo em que as posições-chave são preenchidas por carreiristas", logo, até para uma banda da corporação tocar precisa da autorização do topo.

7. "Portugal tem mais generais e almirantes por soldado do que todas as outras forças armadas modernas, compreendendo 170 generais que, naquela data, recebiam o ordenado por inteiro enquanto inactivos na reserva".

Nau

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Nº. 2022 - Prelo Real

                                 
                             
                                          A medo...

               É a medo que escrevo. A medo penso
               A medo sofro e empreendo e calo.
               A medo peso os tempo quando falo.
               A medo me renego, me convenço.

               A medo amo. A medo me pertenço.
               A medo repouso no intervalo
               De outros medos. A medo é que resvalo
               O corpo escrutador, inquieto, tenso.

               A medo durmo. A medo acordo. A medo
               Invento. A medo passo, a medo fico.
               A medo meço o pobre, meço o rico.

               A medo guardo confissão, segredo
               Dúvida, fé, A medo. A medo tudo.
               Que já me querem cego, surdo e mudo.

     
                                                       José Cutileiro
                                             in "Versos da mão esquerda"