Cabelos Brancos
Não vou a festas. E não vou, não vou.
Vou para a aldeia, com os meus tamancos,
Cuidar as hortas. E não vou, não vou.
Cabelos brancos, vá, sejamos francos,
Minha inocência quando os encontrou
Era um mistério vê-los: Tive espantos
Quando os encontrei, menino, em meu avô.
Nem caiu neve, nem vieram gêlos:
Com a estranheza ingénua da mudança,
Castanhos remirava os meus cabelos;
E, atenta à cor, sem ter outra lembrança,
Ruços cabelos me doía vê-los...
E fiquei sempre triste de criança.
Afonso Duarte
in "Ossadas"
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