quarta-feira, 28 de maio de 2014

Nº. 923 - Prelo Real


1. Há já algum tempo, um bem sucedido técnico do Reino Unido, num curto periodo de férias, enamorou-se por uma certa praia portuguesa que passou a visitar regularmente, sempre que a oportunidade se apresentava.

2. Bom garfo e apreciador de marisco o nosso homem não teve qualquer dificuldade em confraternizar com a população local, tendo descoberto, durante as suas perigrinações diárias, um estabelecimento que, em grande cartaz, anunciava: "Há sempre lagosta".

3. De facto, a "Pensão Morais" agora descoberta pouca diferença faria daquela onde se encontrava hospedado, mas o aliciante cartaz, embora provocando eventuais pruridos de uma vaga lealdade, obrigou-o a amesendar de imediato, clamando para si: o meu reino por uma lagosta!.

4. O almejado repasto não foi prontamente servido porquanto o solícito empregado chamou o patrão Morais para que este explicasse ao gourmet a falha do dia (não havia lagosta!) pois, segundo o dito Morais, tal era devido ao elevado consumo verificado naquele dia.

5. Uma boa oportunidade não pode ser levianamente abandonada e o motivado forasteiro passou a visitar regularmente a "Pensão Morais" escutando as explicações do proprietário 'que não passara pelos viveiros de lagosta devido a marés altas'; 'que não conseguira pescar a lagosta com a qual tencionava presentear o seu indefectível cliente'; e outras razões na mesma linha.

6. Não esmorecia o albiónico forasteiro que na terceira ou quarta tentativa falhada não resistiu a avançar com a lógica sugestão - mudança de nome do estabelecimento - em vez de "Pensão Morais, há sempre lagosta", seria "Pensão Lagosta, há sempre Morais".

7. Alguns monárquicos estão convencidos que, com o estratagema da lagosta, isto é, presumidos valores que são comuns aos republicanos, conquistam adversários mas, à semelhança da "Pensão Lagosta", ficam só com os "morais".

Nau

Nenhum comentário:

Postar um comentário