segunda-feira, 5 de maio de 2014

Nº. 900 - Doutrina Cooperativa


1. O capitalismo - normalmente definido como um sistema económico que tem por fundamento a maximização do lucro, com base na propriedade privada dos meios de produção e na existência de mercados onde se compram e vendem mercadorias, incluindo a força laboral - tem sido aqui frequentemente apelidade de selvagem.

2. Presume-se que os primeiros passos do capitalismo foram dados pelos comerciantes que, expeditamente, acorriam às necessidades das populações, atentos à grande procura de bens essenciais, artefactos, etc., num local e à relativa abundância noutro, comprando estes a preços moderados que, acrescidos dos encargos de transporte e riscos inerentes, permitiam a venda com uma razoável margem de lucro.

3. Claro que a ideia do capital remonta a tempos mais recuados quando o redil de cabras e ovelhas, a vara de porcos, a cáfila de dromedários, etc., garantiam prosperidade aos esforçados donos que, embora os não pudessem transportar nas suas bolsas ou depositar em herméticas caixas fortes, os trocavam por artigos que mais lhes conviesse e quando mais lhes aprouvesse.

4. Cédulas fiduciárias garantindo obrigações ou promessas do portador tentativamente agilizavam as transacções comerciais, dando origem a outras de curso oficial e valor convencionado, bem como a discos metálicos da mesma sorte que consolidaram definitivamente a actividade mercantil.

5. Destarte, as cabeças de gado (dolat. caput, capitis) sinónimo de riqueza e valores acumulados susceptíveis da produção de novos valores, garantiram na mão de empresários dinâmicos uma importância social e política através de formas jurídicas que lhes facilitam a existência corporativa, bem como a continuada acumulação, ou por via de minorias que controlam o aparelho do Estado, dando origem ao chamado capitalismo monopolista estatal.

6. Logo, quando se fala de capitalismo selvagm bom é rectificar tal asserção para selvagens do capitalismo porquanto tais minorias - ora sob a capa liberal, or sob o pendão socialista - apenas estão interessadas nas cadeiras do poder, cultivando a submissão da maioria por passividade e/ou falta de vontade própria.

7. Nós, cooperativistas, opomos à competitividade e à persecução doentia do lucro o apoio mútuo e a cooperação; enfrentamos os selvagens do capitalismo com o capital próprio - quotizações e/ou mutualidade - procurando satisfazer as necessidades económicas, sociais e culturais através de associações onde se exercita a gestão democrática através do voto de cada cooperador, independentemente do capital realizado por este.

Nau

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