sábado, 24 de maio de 2014

Nº. 919 - Psyche


1. O poder será a possibilidade, o domínio, o direito mas, sobretudo, a expressão sintética da ciência social.

2. A satisfação continuda e/ou completa não é humanamente possível pelo que a felicidade confina-se ao vislumbre de um momento, repetível mas não consecutivo ou perdurável.

3. Logo, a insatisfação - a fome de poder e glória - tem por recurso o chefe aguerrido ou o sabido sacerdote, este usando a crença em forças sobrenaturais para interpretar os desígnios dos deuses, contemporizando ambos, mas o primeiro no foro político e o segundo no campo espiritual.

4. A maioria trabalha arduamente para a sua sobrevivência tomando a tradição como o culto do passado - atencioso e reverente para a herança comum transmitida - e a religião como a via para uma futura e continuada felicidade.

5. O poder real, isto é, próprio do rei que, possivelmente, teve como antepassado um bem sucedido chefe na condução de outros indivíduos, é um poder tradicional, respeitável por obviar disputas partidárias no topo da comunidade.

6. O poder sacerdotal é um misto de curandeiro e do fabuloso mágico que, pela imposição das mãos, acompanhado de preces e cerimónias esotéricas, aliviam as mentes perturbadas e os corpos debilitados, encomendando as almas para o desconhecido e suposto descanso eterno.

7. Finalmente, o poder popular, dito democrático, é mera delegação de direitos e compromissos que, por incapacidade visceral, se delega a minorias ousadas no controlo do poder face à passividade dos mais.

Nau

Nenhum comentário:

Postar um comentário