domingo, 13 de setembro de 2020

Nº. 6219 - Psyche 13/9/2020

1. O processo Tá faz parte dos arquivos que gentilmente me facultaram relativos às gerações dos anos 30 e 60 do século passado.

2. Começo pelo Tá por esta, segundo informação disponibilizada, parece ter sido uma moça muito interessante, e de alguns cabedais, que se apaixonou por um jovem professor de música.

3. Do enlace tiveram três rebentos, dois rapazes e uma rapariga, tendo o mais velho, próximo de atingir a maturidade, sido forçado a suspender os estudos, por falta de meios - a música do papá levara a família a apertos de sustento.

4. O progenitor era homem de apetites e gastos muito elevados, bem como horror a compromissos matrimoniais, pelo que ao aperto financeiro da Tá recomendou a esta a venda da residência, prometendo a assinatura de um contrato legal, logo que a estabilidade financeira ficasse assegurada.

5. Farta de promessas e já sem recursos disponíveis, a Tá optou pelo aluguer de quartos a estudantes (o que não era difícil então em Coimbra) e dedicou-se à costura, apoiada pelo primogénito que passou a exercer qualquer profissão que fosse remunerada.

6. No concerto de recursos, o quarteto foi exemplar pois através de remendos, aluguer de quartos e explicações dadas a estudantes menos aptos, os dois rapazes concluiram o curso de medicina e a rapariga optou pelo ensino secundário liceal.

7. O primogénito, com o mesmo problema de progressiva surdez materna, foi médico no Hospital de Luanda; o segundo rebento, por razões políticas, concorreu a uma especialização em França, jamais regressando a Portugal; a irmã, jovem professora, manteve o casarão no esplendor original, até aos últimos dias da Tá.

Nau

P.S.: O professor de música cedo acabou como regente de orquestra nos teatros de revistas do Parque Mayer, em Lisboa.

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