quinta-feira, 23 de março de 2017
Nº. 1952 - Prelo Real
Cala-te, não jures mais.
De que serve a tua jura
Se a dúvida que deste
Não se destrói nem apaga?
E o nosso amor,
Nessa dúvida infinita
Anda perdido - e naufraga.
Cala-te, não jures mais.
- Que os restos do meu afecto
Esmoreçam como a flor
Que murcha se alguém a colhe.
Não fales tão alto, - adeus!
- Receio que alguém nos olhe.
António Botto
in "Canções"
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