quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Nº. 1769 - [RAC] João Alentejano VI
1. Vive-se vivendo, sendo mais difícil o viver para uns do que para outros, de acordo com o grau de sensibilidade que se tem acerca da vida.
2. Aparentemente, os fartos cabedais facilitam esta incerta caminhada do nasce, cresce e morre sem hora aprazada, mas a insegurança torna breve a felicidade pelo que a conquista desta resulta em actos esporádicos.
3. O terror de perder o capital acumulado por si e/ou pelos antecessores obriga a grandes cautelas que também os menos favorecidos, i.e., os de parcos cabedais, sentem em relação aos níqueis que lhes restam no bolso.
4. João Alentejano nunca quis ser mais do que os outros procurando apenas garantir o sustento dos seus, porém sem atropelos ou esquemas mesquinhos em que se rebaixam aqueles ao redor a fim de parecer homem de génio e/ou importante.
5. Nas suas frequentes deslocações a França, no tempo da salazarquia, muitas foram as negaças que lhe fizeram para levar ou trazer clandestinos - furagidos, material subsirvo ou mero contrabando - e sempre negou aventuras que pudessem pôr em risco o sustento da sua família.
6. Ajudava todo o mundo, quando podia, sendo bastante moderado nos preços que praticava aos eventuais clientes que lhe solicitavam ajuda para a reparação de motores, tanto de máquinas agrícolas, como de viaturas há muito condenadas ao abate.
7. Vencido pelo infortúnio numa idade avançada, João Alentejano não se refugia num passado mítico, mas na expectativa do fim da jornada.
Nau
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