quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Nº. 1755 - João Alentejano IV


1. Claro que a facilidade com que João readquirira a carta de condução de pesados não fora devido aos seus lindos olhos, mas ao cabedal com que se endividara para a sua deslocação a Lisboa.

2. Porém, jogara certo e, segundo parece, até o escriturário que lhe facilitara as coisas em termos de requerimentos e passadas para vencer a burocracia da máquina administrativa não cobrara o valor da sua tabela habitual, talvez condoído da lhaneza do nosso protagonista.

3. Ao contrário do que se esperava, as portas do seu antigo patrão lá da aldeia não se abriram de par em par, alegando este que o João teria direito de perceber mais pelo trabalho que faria e ele, em tempos difíceis como os que decorriam, lá se ia safando com a prata da casa.

4. João foi salvo por um seu primo que, trabalhando na capital do distrito, o aconselhou a meter a papelada profissional numa rodoviária que então vingava em vários ramos, incluindo as deslocações ao estrangeiro, requerendo estas muito esforço físico e pontuais ausências do lar.

5. Tudo João fez por mor do conforto da sua família e, fraco em conhecimentos de línguas estrangeiras, lá foi arranhando o espanhol e o francês - o primeiro pela vizinhança da arraia; o segundo pelas frequentes deslocações a Paris - uma vez que o cruzar de fronteiras obedecia então a muitas formalidades.

6. Na sua primeira excursão ao santuário de Lourdes salvou-o um padre bonacheirão que o foi encaminhando com segurança , dispensando a consulta a mapas de estradas, bem como nas escolha de vias alternativas, merecendo o epíteto de seu anjo da guarda.

7. A história do João Alentejano poderia terminar aqui, mas por que não mais um apontamento ... Vejamos o próximo episódio.

Nau

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