sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Nº. 1778 - Luta Popular


1. Nos finais do século XVIII, o movimento liberal/maçónico deu a machadada final no absolutismo de inspiração beática, rolando a cabeça de Luís XVI  em França, aliás fraco representante de tal doutrina.

2. A Revolução Industrial iniciada em Doncaster (Cartwright, 1743-1823) deu azo que, a curto espaço de tempo, os plutocratas tomassem a dianteira condicionando a doutrina liberal aos seus interesses; orientando os seus investimentos na produção e consumo.

3. O motor de explosão interna, nos finais do século XIX deu largo avanço ao transporte de mercadorias, bem como à mobilidade das pessoas, gerando substanciais proventos aos magnates habituais, incrementando a luta para a conquista de novos mercados.

4. Sendo a mão de obra numerosa e mais barata do que o combustível necessário para o funcionamento do equipamento mecânico, teóricos aventaram a hipótese da união dos trabalhadores permitir o controlo dos plutocratas, de acordo com a dinâmica liberal.

5. Claro que o rolar da cabeça de Luís XVI apenas confirmara o acesso da burguesia às cadeiras do poder, ficando esta cada vez mais dependente do grande capital, mesmo quando mascarado de capitalismo socialista.

6. Logo, quer liberalismos, quer socialismos jamais solucionarão os problemas normalmente agravados pela intervenção de demagogos, estes provenientes de resultados eleitorais aleatórios.

Nau

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Nº. 1777 - Prelo Real



                     Homenagem


          Pus-vos a mão um dia sem saber
          que tão robusta e certa artilharia
          iria pelos anos fora ser
          sinal também de lêveda alegria

          amigos meus colhões quanto prazer
          veio até mim em vossa companhia
          a hora que tiver já de morrer
          morra feliz por tanta cortesia

          adeus irmãos é tempo de ceder
          à dura lei que manda arrefecer
          o fogo leviano em que eu ardia

          camaradas, leais do bem foder
          o brio a fleuma cumpre agradecer
          sem vós teria sido uma agonia.

                                   Fernando Assis Pacheco

Nº. 1776 - [RAC] João Alentejano VII


1. O caso aqui apresentado é o exemplo flagrante de modesta extracção e de baixo perfil social.

2. Milhares de Joãos Alentejanos pululam nas aldeias portuguesas mas com percursos mais sinuosos, marcados pelo oportunismo e decadência moral.

3. São os cancros da sociedade tanto os que desfrutam do trabalho alheio pelos fartos cabedais acumulados, como os que capricham em nada fazer evocando direitos e fugindo às pertinentes obrigações.

4. Ambos chagas da comunidade, os mais humildes a viver à pala do erário como subsídio-dependentes; por esquemas tortuosos  eximem-se os bens instalados na vida do pagamento dos devidos contributos.

5. Claro que os primeiros, alegando doenças imaginárias, vivem à margem do crime sem valores por referência; os outros praticam deliberadamente ilegalidades sob a capa de altos padrões como políticos, empresários e quadros administrativos.

6. Logo, a burguesia republicana sublima a delegação do poder de decisão a terceiros por via de sufrágios demagógicos impostos pelo grande capital, satisfazendo a fome de poder de políticos menores e dos respectivos apaniguados.

7. A reforma da mentalidade burguesa, embora embotada pelo capitalismo viciante, apenas poderá ser levado a cabo pela prática real cooperativista.

Nau

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Nº. 1775 - Doutrina Cooperativista


1. Alguns indivíduos, pagando quotas numa unidade cooperativa como de um clube recreativo se tratasse, raramente participam nas pertinentes actividades.

2. Outros, sem se darem ao incómodo de contribuir - tanto material como fisicamente - para a existência de uma associação de base cooperativa, arrogam-se o direito de opinar negativamente acerca de uma doutrina que desconhecem.

3. Ainda há aqueles que, com grande capacidade imaginativa, auguram frequentes combates ideológicos (dentro e fora das cooperativas) ignorando que, dentro destas, não existem discriminações sociais, políticas ou religiosas.

4. De facto, a competição é estimulada desde a infância, ao invés dos padrões morais da comunidade que, durante séculos, procuraram incutir preceitos de convivência harmoniosa ou de laços consolidares, preservados por sacerdotes como fundamento religioso.

5. À permuta de bens e serviços tendo por base as necessidades básicas dos participantes seguiu-se, com a inclusão dos esquemas fiduciários, o lucro como objectivo e este fez disparar as trocas comerciais num rítmo competitivo colossal.

6. Logo, à apropriação pouco comedida seguiu-se a acumulação doentia de bens, dando esta origem ao consórcio dos plutocratas que manipulam despudoradamente os centros decisórios ao nível do Planeta Azul.

7. Apenas a solidariedade das unidades cooperativas - exercitadas na prática da autogestão e do autofinanciamento - poderá debelar as investidas do capitalismo burguês.

Nau


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Nº 1774 - Portal Comunalista


1. A cabeça de António Costa está a prémio - tanto fora, como dentro do partido - dando azo a que o visado dê corda às engraçadinhas a fim de que, caso as coisas dêem para o torto, possa acusar as parceiras de ocasião do eventual desaire.

2. Ronhosamente, a oposição interna do PS mantém-se na expectativa, ensaiando prudentes avisos à navegação, enquanto a maioria oportunista não esconde a fome de poder dando o cu e meio tostão para amesendar no festim em cadeira confortável e remuneração à fartazana, como é habitual nestas lides partidárias - enquanto dura, vida doçura.

3. Entretanto as engraçadinhas vão fazendo striptease público, embriagadas por um eventual desalento dos apoiantes do PCP nas últimas eleições, rectificável na próxima consulta às urnas devido ao brio clubista, bem como ao risco da perca do controlo dos subsídio-dependentes nas administrações regionais.

4. Jerónimo de Sousa mantém o entendimento com os quadros sindicais e, na hora das grandes decisões, avançará com a movimentação das massas que colocarão as oportunistas em bloco, digo, engraçadinhas do bloco, no seu lugar, isto é, na cama com o PS, num previsível aborto político.

5. Claro que o engraçadinho António Costa está a dar tudo por tudo para o controlo da comunicação social, bem como do próprio PS, almejando por um fracasso total do PSD, bastando-lhe a inversão das posições (entenda-se, PS com maior número de votos do que o PSD) para negociações mais estáveis com o PCP.

6. Esfrangalhado o bloco central pelo engraçadinho António Costa, resta à maioria dos portugueses aguardar por um ciclo económico mais estável, este dependente do resultado eleitoral do E.U.A e da próxima jogada no extremo-oriente.

7. Logo, voltamos a insistir por um diálogo cá da malta, gente crescida, deixando os putos entretidos nas lides partidárias.

Nau

domingo, 25 de setembro de 2016

Nº. 1773 - Psyche


1. Um fluxo contínuo de energia alimenta o tecido e os órgãos do corpo humano. Logo, os alimentos que consumimos e o ar que respiramos deverão ser criteriosamente seleccionados.

2. Sete glândulas controlam o fluxo da energia gerada, sendo as sexuais - próstata e testículo no homem; ovários, útero, vagina e seios, na mulher - responsáveis pela reprodução e apetite sexual.

3. Enquanto as glândulas supra-renais superintendem nas funções dos rins, ossos, medula óssea e espinal medula, o pâncreas controla a digestão, a temperatura do corpo e os índices de glicose no sangue.

4. O coração e o sistema circulatório são comandados pelo timo, sendo a imparável multiplicação e renovação das células cerebrais condicionadas pelo fluxo sanguíneo.

5. Por sua vez, as ditas células cerebrais são controladas pela tiróide, tornando-se esta uma das glândulas importantes para o equilíbrio mental.

6. A memória, o pensamento e a inteligência (que mingua na maioria dos políticos portugueses) são regidos pela hipófise localizada na base do crânio.

7. O centro psíquico responsável pelas actividades das outras glândulas através de secreções, está localizado na glândula pineal, ligado às outras seis glândulas por múltiplas artérias.

Nau

sábado, 24 de setembro de 2016

Nº. 1772 - Fim de Semana 60


1. Quando o processo de crescimento  e renovação das células cooperativas sofre uma alteração susceptível de afectar a comunidade, de imediato se manifestam sintomas facciosos.

2. A partidocracia é o reduto da classe burguesa alimentada pelo grande capital que, através da actividade financeira produção/consumo, manipula a burguesia dirigente a seu inteiro contento.

3. Os aprendizes de feiticeiros, com exorcismos e mezinhas inócuas, pretendem salvar o doente  (que fede por todos os póros) com práticas de comprovada ineficácia, mudando a cor da carroça mas apostando em muares da mesma jaez.

4. Sem dúvida que o diálogo entre um reduzido número de pessoas  será mais profícuo do que no seio da multidão - tanto em congressos prosaicos como em comícios de rua - uma vez o que importa é manter vivo o espírito de cooperação.

5. Aparentemente os fartos cabedais  facilitam a incerta caminhada do nasce, cresce e morre sem hora aprazada, mas a insegurança torna breve a felicidade pelo que a conquista desta se impõe, embora fatalmente condenada a actos esporádicos.

6. Segundo José Carlos de Vasconcelos (poema "A Cabeça de Diogo Alves" do recente 'Prelo Real') a entediante eternidade, intercalada por passagens em cadeias viciantes e hospitais inseguros, acabam em "Alleluia" de mais o mesmo.

7. A luta popular será eficaz apenas pela multiplicação das células cooperativas onde as decisões são consensuais e a solidariedade um facto.

Nau

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nº 1771 - Luta Popular


1. Não estamos sós. Lutamos por aquilo em que pomos as nossas maiores esperanças - viver condigno para todos.

2. Sendo as nossas esperanças tão abrangentes, não há dúvida que a podemos classificar - sem quaisquer intuitos demagógicos - como uma luta popular.

3. Não basta mostrar simpatia pela instituição monárquica - sobretudo quando prevalecem razões sentimentais - pois o que importa são os objectivos e os compromissos assumidos.

4. Recusamos-nos a delegar o poder de decisão próprio em figuras partidárias que buscam uma mera oportunidade para ter acesso às rédeas do poder.

5. Deliberadamente foi utilizada a palavra rédeas em vez de comandos dado que a maioria das pessoas pretende actuar como animais de tracção e não como remadores da mesma barca.

6.  Como é óbvio, os animais de tracção são alimentados para exercerem a função específica de puxar o carro, enquanto o comando de uma unidade motorizada liberta o homem do trabalho braçal.

7. A luta popular será eficaz apenas pela multiplicação das células cooperativas onde as decisões são consensuais e a solidariedade um facto.

Nau



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Nº. 1770 - Prelo Real



               A Cabeça de Diogo Alves (em exposição)


              Estranha forma de olhar a vida eterna
              dentro de um exíguo frasco, cor de pânico,
              exposto às cozeduras do dichote
              cheio de uma luz disfórica
              tão longe das pequenas glórias
              do Aqueduto e dos sobressaltos
              que vivificavam a míngua
              Agora, a entediante eternidade
              intercalada de visitas
              como nos hospitais ou nas prisões
              E quando há mais pessoas 
              estala no altifalante, irónico, o "Alleluia"


                                        José Carlos de Vasconcelos







quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Nº. 1769 - [RAC] João Alentejano VI


1. Vive-se vivendo, sendo mais difícil o viver para uns do que para outros, de acordo com o grau de sensibilidade que se tem acerca da vida.

2. Aparentemente, os fartos cabedais facilitam esta incerta caminhada do nasce, cresce e morre sem hora aprazada, mas a insegurança torna breve a felicidade pelo que a conquista desta resulta em actos esporádicos.

3. O terror de perder o capital acumulado por si e/ou pelos antecessores obriga a grandes cautelas que também os menos favorecidos, i.e., os de parcos cabedais, sentem em relação aos níqueis que lhes restam no bolso.

4. João Alentejano nunca quis ser mais do que os outros procurando apenas garantir o sustento dos seus, porém sem atropelos ou esquemas mesquinhos em que se rebaixam aqueles ao redor a fim de parecer homem de génio e/ou importante.

5. Nas suas frequentes deslocações a França, no tempo da salazarquia, muitas foram as negaças que lhe fizeram para levar ou trazer clandestinos - furagidos, material subsirvo ou mero contrabando - e sempre negou aventuras que pudessem pôr em risco o sustento da sua família.

6. Ajudava todo o mundo, quando podia, sendo bastante moderado nos preços que praticava aos eventuais clientes que lhe solicitavam ajuda para a reparação de motores, tanto de máquinas agrícolas, como de viaturas há muito condenadas ao abate.

7. Vencido pelo infortúnio numa idade avançada, João Alentejano não se refugia num passado mítico, mas na expectativa do fim da jornada.

Nau

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Nº. 1768 - Doutrina Cooperativista


1. O diálogo entre um reduzido número de pessoas será mais profíquo do que no seio da multidão.

2. Porém, a capacidade financeira de um pequeno grupo - sobretudo quando as contribuições dos associados se limitam ao pagamento de quantias fixas mensais - não permite avultados empreendimentos.

3. Logo, a unidade cooperativa com um número reduzido de sócios é mais adequado para as actividades de profissionais, como empresa de serviços e/ou de produção artesanal.

4. A fim de contornar tais dificuldades sempre é possível criar um sistema de solidariedade social - função mutuante - para a concessão de empréstimos às cooperativas unidas por laços estratégicos.

5. Claro que a tal unidade mutuante actuaria como financeira das actividades das células cooperativas e por estas seria gerida, a partir dos réditos apurados.

6. Este sistema de financiamento baseado no multilateralismo  e na cooperação económica entre as células solidárias são uma alternativa à gestão das unidades com largo número de associados, de pendor corporativo.

7. O que importa é manter vivo o espírito de cooperação evitando o abastardamento por buocratizações indecorosas.

Nau

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Nº. 1767 - Portal Comunalista


1. Nem novas nem mandados do recente congresso monárquico que teve lugar em Coimbra, a menina e moça.

2. Presumo que o referido congresso tenha sido organizado por jovens universitários, pelo que os abstracts das teses apresentadas já podiam ser do domínio público.

3. Segundo parece, o espaço da Internet dos organizadores do referido congresso continua mudo e quedo - pelo menos é o que me têm dito os nossos colaboradores - mas a impaciência é legítima.

4. Resta-me os princípios enunciados no referido espaço os quais colocam os subscritores na ala dos enamorados da extrema-direita, atidos a um glorioso e mítico passado, sem propostas válidas para o futuro.

5. Abro aqui um parêntesis para sublinhar que a extrema-esquerda sofre de idêntico mal, embora voltada para um futuro distante da realidade, esta como qualidade do que é real, mesmo quando, por facciosismo, não se afirma própria dum rei.

6. Defendemos a Monarquia por esta significar governo de um só, i.e., do Povo, servindo a figura do Rei para obviar disputas partidárias no topo da comunidade, estas proporcionadas pelos soberanos a prazo e de cor encapotada.

7. Logo, governo do Povo pela multiplicação das células cooperativas; reinado do Rei (hereditário e vitalício) perante a Históia.

Nau

domingo, 18 de setembro de 2016

Nº. 1766 - Psyche


1. Quando o processo de crescimento e renovação das células  sofre uma alteração susceptivel de afectar qualquer órgão do corpo humano, de imediato se manifestam sintomas cancerígenos.

2. As células malignas multiplicam-se rapidamente  e, quando observadas ao microscópio, apresentam um aspecto fora do normal, enquanto as outras vão sendo confinadas em áreas cada vez mais reduzidas.

3. Determinadas células malignas poderão até penetrar nos vasos sanguíneos e linfáticos, implantando-se em outros órgãos, originando novos focos cancerígenos  que os modernos tratamentos, quando atempados, são susceptíveis de debelar.

4. Numa fase inicial, a presença de sangue na expectoração, na urina e nas fezes - tanto em indivíduos do sexo masculino, como feminino - carece de pronta observação de técnicos qualificados (médicos/analistas) que, de imediato prescreverão as adequadas medidas.

5. Não sendo uma doença hereditária ou transmissível, o cancro manifesta-se com maior incidência  nos indivíduos de meia-idade, mormente devido ao tabaco; na falta de fibras na dieta; na exposição excessiva ao sol.

6. Sendo desconhecidos a natureza e causa de todos os cancros, a predisposição para esta doença - na pele, na bexiga e nos pulmões - verifica-.se naturalmente nos trabalhadores da indústria química e da mineira.

7. Também o trabalho industrial com certas matérias-primas - borracha, asbesto, produtos  radioactivos - é de risco muito elevado.

Nau


sábado, 17 de setembro de 2016

Nº 1765 - Fim de Semana 59


1. A personalidade é definida como o conjunto dos sentimentos e desejos. Logo, para entender a agressividade que medra no espaço internáutico convém ter presente as caracteríticas das personalidades psicopáticas.

2. Urgente é as pessoas crescerem - física, intelectual e gregáriamente - para a formação de células de robustez solidária, uma vez que o curso da vida dos homens é viver em comunidades, o mais harmoniosamente possível.

3. Claro que a mudança profunda na constituição política - acabando com os soberanos a prazo de génese partidária e aplacando os ímpetos capitalistas da burguesia dominante - só é possível com uma revolução na base social.

4. Hoje o João alentejano é pau para toda a obra - trata da mulher doente; procura manter o conforto de ambos e no último fugaz convívio que tivemos, angustiadamente comentou: a vida é um risco a prazo, quando damos por ele já chegamos ao fim.

5. Porém os trabalhos de João Alentejano superficialmente enunciados nestas últimas semanas apresentam-se mais graves do que os trabalhos de amor tal como foi lembrado pelo soneto de Fernando de Assis Pacheco.

6. A função dos demagogos é estimular as paixões populares de modo a atingir os seus objectivos políticos, i.e., o acesso às cadeiras do poder, a fim de satisfazer os seus interesses particulares, bem como dos seus insaciáveis apoiantes.

7. Continuamos nós na luta pela multiplicação das células cooperativas porquanto recusamos-nos a delegar o nosso poder de decisão a meros energúmensos.

Nau


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Nº. 1764 - Luta Popular


1. A função dos demagogos é estimular as paixões populares a fim de atingir os seus objectivos políticos. i.e., o acesso às cadeiras do poder.

2. Os demagogos de direita falam da Pátria, com muita ênfase, e das míticas grandezas do passado sem especificar em que estas consistiam e quando tiveram lugar.

3. Por outro lado, os demagogos de esquerda falam das manhãs radiosas do futuro com os mesmos objectivos da direita ou seja, tomar as rédeas da governação.

4. Como é sabido, os liberais apostam no mercado da produção e do consumo equilibrado de modo a agradar a todo o mundo, sobretudo aos plutocratas que financiam aqueles dois segmentos.

5. A família socialista divide-se em dois grandes grupos: os pluri e os monopatrtidários, ambos apostando na centralização e burocratização do Estado.

6. Claro que tanto liberais como socialistas assumem-se como a classe dirigente e apelam para que todo o mundo delegue o seu poder de decisão na sua cor política.

7. Aqui continuamos na luta pela multiplicação das células cooperativas porquanto recusamo-nos a delegar o nosso poder de decisão em demagogos encartados.

Nau

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Nº. 1763 - Prelo Real



               Os trabalhos do Amor


               Os trabalhos do amor são os mais leves
               de quantos algum dia pratiquei
               na cama as alegrias fazem lei
               e se me queixo é só de serem breves

               eu vivo atado às tuas mãos suaves 
               num dó deste corpo já não sai
               ferve o arco do sol a tarde cai
               ardem voando pelos céus as aves

               mágoas outrora muitas fabriquei
               e em países salobros jornadeei
               ao dorso das tristezas almocreves

               a vez em que te amei um outro fui
               comigo fiz a paz nada mais dói
               e os trabalhos de amor nunca são graves



                                        Fernando Assis Pacheco



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Nº. 1762 - [RAC] João Alentejano V


1. A família de João, acrescida por dois rebentos saudáveis, manteve o perfil equilibrado e considerado.

2. Os ditos rebentos cresceram num ambiente pouco diferente daquele dos seus progenitores, e cedo constituíram família, mas longe da aldeia natal uma vez que esta poucas oportunidades lhes ofereciam.

3. As saudades eram mitigadas, na era da comunicação, por telefones portáteis e por mútuas visitas, não só durante os períodos de férias, como nas datas tradicionais - Páscoa, Natal e... quando possível.

4. Entretanto João reformou-se e, com um rendimento mais estável, passou a fazer visitas regulares à capital de distrito, bem como aos arredores, sobretudo quando cheirava a cozinha boa.

5. A sua vocação mecânica não se extinguira mas a disponibilidade e o tempo para tal era pouco, limitado pelos casos intrincados e as viaturas da família.

6. Tendo-se manifestado um caroço maligno no seio da sua mulher, de imediato dispararam os tratamentos quimoterápicos e a extracção do primeiro, bem como do segundo em curto espaço de tempo.

7. Hoje, João é pau para toda a obra - trata da doente, procura manter o conforto de ambos e, no último fugaz convívio comentou: a vida é um risco a prazo; quando damos por ele já chegamos ao fim.

Nau

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Nº. 1761 - Doutrina Cooperativista


1. Aqui defendemos um sistema político que harmoniza as propostas revolucionárias do cooperativismo com a instauração da Monarquia.

2. Logo, a multiplicação das células cooperativas - levadas a cabo por gente determinada em satisfazer ponderadamente as suas necessidades económicas, sociais e culturais por iniciativa própria - sustará a exploração desmedida cultivada pelos plutocratas.

3. Claro que a mudança profunda na constituição política - acabando com os soberanos a prazo de génese partidária e aplacando os ímpetos capitalistas da burguesia dominante - só é possível com uma revolução na base social.

4. A mentalidade burguesa de apropriação desmedida, aliada à fome de poder, obriga a uma rivalidade sistemática, esta impulsionada desde os verdes anos em que os mais aventurados têm sucesso e o resto é paisagem.

5. Como é sabido, a paisagem é uma extensão de território que se abrange de um só lance de vista, e que se considera pelo seu valor intrínseco (trabalho e/ou lucro), música celestial para os tímpanos daquele que nada de positivo faz.

6. Assim, tanto os burgueses com pretensões de classe dirigente, como aqueles que nada querem fazer exigindo benesses da comunidade - os primeiros auferindo remunerações fabulosas e os segundos vitualhas indevidas - são ambos prostitutos da comunidade.

7. Só a prática cooperativa, com base na autogestão e no autofinanciamento, dará força à revolução que almejamos.

Nau

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Nº. 1760 - Portal Comunalista


1. É com muito orgulho que vos anuncio que o meu segundo filho é potencial membro do governo português visto que passa o tempo a dormir, mama e só faz merda, apenas com dois meses (incompletos) de idade.

2. Logo, para ultrapassar esta natural tendência, urge as pessoas crescerem - física, intelectual e gregáriamente - para a formação de células de robustez solidária, uma vez que o curso da vida dos homens é viver em comunidades, o mais harmoniosamente possível.

3. Delegar o poder de decisão a outrem é, aparentemente, mais cómodo para os inseguros, para os frágeis de ânimo e susceptíveis em se deixar levar por embustes, orquestrados por demagogos e/ou condicionados por interesses particulares.

4. Talvez o caminho aqui preconizado seja, aparentemente, trabalhoso mas, sem dúvida, o mais seguro, dado que a evolução das novas tecnologias, dentro em breve, permitirá um controlo mais dinâmico e eficaz dos centros decisórios.

5. A produção globalizada vai impondo padrões de vida aparentemente mais sofisticados, mas estes resultam somente dos esquemas produtivos e dos circuitos de consumo, ambos controlados pelos insaciáveis plutocratas.

6. Os combustíveis fosseis continuam a ser indispensáveis para o accionamento das máquinas de destruição massiva - tanques, aviões, armadas invencíveis - porém as energias renováveis progressivamente poderão satisfazer as necessidades basilares.

7. Temas para exaustivos debates não faltam; a vontade de mudança dos incautos é confrangedora.

Nau

sábado, 10 de setembro de 2016

Nº. 1759 - Psyche


1. A personalidade é definida como o conjunto dos sentimentos e desejos do homem.

2. Logo, a impulsividade, a excitabilidade e a insensibilidade fazem sofrer tanto o próprio como os que o rodeiam.

3. Os psicopatas eréticos, normalmente muito activos, são pouco eficazes na projecção e realização dos seus actos.

4. A tendência para a depressão é característica dos cépticos e/ou simplesmente pessimistas - abatimento físico, intelectual ou moral.

5. Distinguem-se os inseguros dos pessimistas pelos comportamentos obsessivos, sendo a dúvida sistematicamente cultivada a extremos doentios.

6. Os inconstantes manifestam-se pela mudança sistemática de atitude: frágeis de ânimo e susceptíveis em deixar-se levar por embustes.

7. Por outro lado, os histéricos carecem de muita atenção; por norma excêntrica, são frequentemente confundidos com os explosivos por dá cá aquela palha.

Nau

Nº. 1758 - Fim de Semana 58


1. O processo de envelhecimento provoca uma normal deteriozação de certas regiões do cérebro às quais convém prestar regular atenção.

2. Caminhadas regulares; a prática do Yoga; leituras enriquecedoras são as alternativas às drogas intoxicantes que apenas servem para o bem estar económico da indústria farmacêutica.

3. Ora o que importa é avançar com projectos inovadores nos quais o poder de decisão não será delegado mas debatido, procurando alcançar um concerto, ordem, boa disposição, entre as partes empenhadas na construção de uma comunidade mais sã e justa.

4. Logo, o que importa é a prática da cooperação - concorrência de auxílio, de forças, de meios para algum fim consensualmente definido, tendo presente que as disposições legais para a formação de uma unidade cooperativa regular (já pormenorizadas neste espaço) pouco variam por esse mundo fora.

5. Tudo o João Alentejano fez por mor do conforto da sua família e, fraco em conhecimentos de línguas estrangeiras, lá foi arranhando o espanhol e o francês - o primeiro pela vizinhança da arraia e os tratos com esta; o segundo pelas frequentes deslocações excursionistas a Paris - uma vez que o cruzar de fronteiras obedecia então a muitas formalidades.

6. Não te rendas jamais é o apelo de Eduardo Alves da Costa insinuando que o homem - qualquer que seja a sua estatura - não precisa tomar como padrão aqueles que apostam no atropelo, na mesquinhez e no caciquismo ora imposto pela religião conformadora, ora pela partidocracia burguesa.

7. Claro que a luta popular por nós sugerida não poderá ser realizada sem o concurso daqueles que não se rendem às manigâncias da burguesia. Aqui defendemos a cooperação, jamais a estagnação.

Nau

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Nº. 1757 - Luta Popular


1. Que a repetição dos mesmíssimos temas ao longo de várias semanas seja enfadonho - estou completamente de acordo.

2. Porém, do lado de cá, inibidos de participarem directamente nestes cozinhados, apenas oiço bocas e dichotes a esmo.

3. Os visitantes, embora em número confortável, recusam-se em botar palavra, demonstrando interesse pela matéria, embora reticentemente.

4. Já apelámos à intervenção da diáspora portuguesa mas esta, enfrentando penosos desafios no local de trabalho, pouca disposição manifesta para eventuais debates.

5. Do nosso mundo, apenas aqueles que, não sendo da casa, praticamente actuam como tal, multiplicando-se em sugestões pelo correio privativo.

6. A excepção brasileira consiste na fixação ao tema "Nobreza & Aristocracia" - esporádico comentário efectuado por um intrépido visitante há vários anos - mantida através de peregrinações diárias, provavelmente numa tentativa do tal visitante decorar o texto.

7. Claro que a luta aqui sugerida não poderá ser realizada sem o concurso de todos. Aqui defendemos a cooperação, jamais a estagnação.

Nau

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Nº. 1756 - Prelo Real


               Não te Rendas Jamais


                Procura acrescentar um côvado
                à tua altura. Que o mundo está
                à míngua de valores
                e um homem de estatura justifica
                a existência de um milhão de pigmeus
                a navegar na rota previsível
                entre a impostura e a mesquinhez
                dos filisteus. Ergue-te desse oceano
                que dócil se derrama sobre a areia
                e busca as profundezas, o tumulto
                do sangue a irromper na veia
                contra os diques do cinismo
                e os rochedos de torpezas
                que as nações antepõem a seus rebeldes.
                Não te rendas jamais, nunca te entregues,
                foge das redes, expande teu destino.
                E caso fiques tão só que nem mesmo um cão
                venha lamber a mão,
                atira-te contra as escarpas
                de tua angústia e explode
                em grito, em raiva, em pranto.
                Porque desse teu gesto 
                há-de nascer o Espanto.  

                                   Eduardo Alves da Costa

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Nº. 1755 - João Alentejano IV


1. Claro que a facilidade com que João readquirira a carta de condução de pesados não fora devido aos seus lindos olhos, mas ao cabedal com que se endividara para a sua deslocação a Lisboa.

2. Porém, jogara certo e, segundo parece, até o escriturário que lhe facilitara as coisas em termos de requerimentos e passadas para vencer a burocracia da máquina administrativa não cobrara o valor da sua tabela habitual, talvez condoído da lhaneza do nosso protagonista.

3. Ao contrário do que se esperava, as portas do seu antigo patrão lá da aldeia não se abriram de par em par, alegando este que o João teria direito de perceber mais pelo trabalho que faria e ele, em tempos difíceis como os que decorriam, lá se ia safando com a prata da casa.

4. João foi salvo por um seu primo que, trabalhando na capital do distrito, o aconselhou a meter a papelada profissional numa rodoviária que então vingava em vários ramos, incluindo as deslocações ao estrangeiro, requerendo estas muito esforço físico e pontuais ausências do lar.

5. Tudo João fez por mor do conforto da sua família e, fraco em conhecimentos de línguas estrangeiras, lá foi arranhando o espanhol e o francês - o primeiro pela vizinhança da arraia; o segundo pelas frequentes deslocações a Paris - uma vez que o cruzar de fronteiras obedecia então a muitas formalidades.

6. Na sua primeira excursão ao santuário de Lourdes salvou-o um padre bonacheirão que o foi encaminhando com segurança , dispensando a consulta a mapas de estradas, bem como nas escolha de vias alternativas, merecendo o epíteto de seu anjo da guarda.

7. A história do João Alentejano poderia terminar aqui, mas por que não mais um apontamento ... Vejamos o próximo episódio.

Nau

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Nº. 1754 - Doutrina Cooperativista


1. Não há qualquer necessidade dos princípios que servem de base ao cooperativismo serem papagueados.

2. O que importa é a prática da cooperação - concorrência de de auxílio, de forças, de meios para algum fim consensualmente definido.

3. As disposições legais para a formação de uma unidade cooperativa regular (já pormenorizadas neste espaço) pouco variam por esse mundo fora.

4. Preocupante é a atitude negligente de supostos associados que alegam falta de tempo para dedicar alguma atenção aos problemas da sua cooperativa.

5. Claro que há sempre questões a resolver na gestão de uma unidade cooperativa como em qualquer outro empreendimento da espécie humana.

6. O alheamento da prática cooperativa transfere para outrem (normalmente um grupo restrito) a gestão corrente, redundando a cooperação em mera corporação.

7. Vários são os recursos das unidades cooperativas: produção, consumo, transportes, artesanato, saúde, construção e outras coisas mais.

Nau


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Nº. 1753 - Portal Comunalista


1. Inseguros nas suas convicções políticas - mormente por falta de aprofundamento da doutrina adoptada - os principiantes naquele sector agem em pequenos grupos onde a conformidade de opinião resulta em coral monocórdico.

2. Também os veteranos, com alguma prática nas lides políticas, procuram reganhar algum protagonismo, à semelhança de um certo catedrático da nossa praça que, no início deste ano, avançou com a peregrina ideia de um congresso.

3. Antes de ir para a frente das grandes cruzadas, bom será terçar a pena nos espaços já disponibilizados na Internet, não induzindo em logro pacatos cidadãos que, à semelhança do escrevente destas linhas, fez voos intercontinentais para participar numa abortada(?) manifestação monárquica em Lisboa.

4. Por outro lado, vir falar do tradicionalismo com larga profusão de imagens bíblicas poderá ser aliciante para professos em tais matérias, mas pouco adequado à maioria da população que procura satisfazer as suas necessidades económicas, sociais e culturais.

5. Os abencerragens, nas suas lutas intestinas, contribuíram para a decadência do reino de Granada. Porém, a dedicação a uma causa requer mais ponderação do que vedetismos, estes característicos de uma classe média decadente, i.e., a burguesia.

6. Ora, o que importa é avançar com projectos inovadores nos quais o poder de decisão não será delegado, mas debatido, procurando alcançar um concerto, ordem, boa disposição, entre as partes envolvidas.

7. A nossa luta é contra os liberalismos, os socialismos, os fascismos e os sociais-fascismos impudico da burguesia dominante. Logo, somos cooperativistas, monárquicos e comunalistas.

Nau


domingo, 4 de setembro de 2016

Nº. 1752 - Psyche


1. A destreza mental não é garantia de uma sobrevivência a longo prazo.

2. O processo de envelhecimento provoca uma normal deterioração de certas regiões do cérebro à qual convém prestar regular atenção.

3. Porém, não se lembrar onde deixou as chaves do carro é uma questão de disciplina - aliás, falta desta - que se agrava a partir dos 30 anos.

4. Curiosas são as hesitações quanto ao percurso a seguir para um destino conhecido, embora a condução do veículo se faça com a maior normalidade.

5. Demência será não se recordar de factos importantes da sua própria vida, deixando de reconhecer até aqueles que lhe estão próximos; manifestando um desleixo progressivo.

6. A doença de Alzheimer é risco na idade avançada, sendo a presença de dois genes ApoE sinal de alguma gravidade, acentuado por um estilo de vida sedentário.

7. Caminhadas regulares; a prática do Yoga; alimentação saudável; leituras enriquecedoras são as alternativas às drogas intoxicantes.

Nau



sábado, 3 de setembro de 2016

Nº. 1751 - Fim de Semana 36


1. O poder multifacetado - indo do exercício de certas funções administrativas à influência espiritual,
fundamentando-se o primeiro na força impositiva e o segundo no equilíbrio da razão moral e/ou afectiva.

2. A República, ao impor o soberano a prazo (de preferência da sua cor política) é o regime da predilecção da burguesia que, à semelhança da pescadinha-de-cauda-nos-lábios, digo, de rabo-na-boca, se apropria da parada alheia em jogo de azar para conservar o poder.

3. Paulatinamente, neste espaço continuamos a ventilar as teses da doutrina cooperativa que, na prática da autogestão e do autofinanciamento, é a única via para anular os esquemas dos intermediários e a fome de poder da burguesia republicana.

4. Na semana passada, repetimos os fundamentos da doutrina cooperativista em versão poliglota aguardando, nesta data, que os cépticos já tenham tido tempo para obter um conhecimento verdadeiro, certo e completo, acerca de tal sublime doutrina.

5. Claro que os diletantes procurarão cultivar a arte de não se comprometerem ou qualquer outra actividade como passatempo, sem preparação adequada para o dia de amanhã, ao contrário de um João Alentejano que procura levar uma vida digna até ao fim dos seus dias.

6. A Liberdade, segundo Miguel Torga, mitigada pela experiência, poderá ser procurada nos céus e, descendo destes pelo habitual silêncio ensurdecedor, cair nos braços próprios, almejada por aqueles que, da liberdade de pensamento, têm fome do pão de cada dia.

7. Na luta popular, todo o mundo poderá encontrar o caminho para a satisfação das suas necessidades económicas, sociais e culturais, na prática da autogestão e do autofinanciamento, timbre dos cooperativistas.

Nau

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Nº. 1750 - Luta Popular


1. Delegar o poder de decisão estritamente pessoal a desconhecidos - estes avançados por grupos minoritários dentro de facções da mesma sorte - é esquema da burguesia liberal.

2. A liberdade é cantada até à exaustão fazendo esquecer que esta é a faculdade de o homem agir de um ou outro modo - ou de não agir - por seu livre arbítrio, assumindo as inerentes responsabilidades.

3. Logo, o poder de decisão não é alienável perante problemas morais, sociais e políticos, mas concertado entre duas ou mais pessoas em grupos restritos, a fim de não perder a desejada coerência.

4. Porém, quando o conceito de diálogo é extravasado por ene grupos de pessoas, o vozear é ensurdecedor e as decisões são o resultado de meros actos emocionais em que estes suplantam, de longe, a razão.

5. Bom é não esquecer que também as decisões havidas através de esquemas piramidais do centralismo burocrático, invariavelmente monopartidário, é a expressão da vontade da burguesia, fundamentada na competição de raiz liberal.

6.Não somos contra os partidos políticos, nem contra os clubes desportivos, reconhecendo os primeiros como forum para esclarecimento intelectual e os segundos como ginásio para o desenvolvimento físico, mas não pretendemos a sobreposição destes dois objectivos.

7. A luta popular encontrará a solução ideal na multiplicação das células cooperativas, na prática da autogestão e do autofinanciamento, para satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais dos seus associados.

Nau

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nº. 1749 - Prelo Real



                         Liberdade


               - Liberdade, que estais no céu...
           Rezava o padre-nosso que sabia,
           A pedir-te, humildemente,
           O pio de cada dia.
           Mas a tua bondade omnipotente
           Nem me ouvia.

           - Liberdade, que estais na terra...
           E a minha voz crescia
           De emoção.
           Mas um silêncio triste sepultava
           Que ressumava
           Da oração.

           Até que um dia, corajosamente,
           Olhei noutro sentido, e pude,
           deslumbrado,
           Saborear, enfim,
           O pão da minha fome.
           - Liberdade, que estais em mim,
           Santificado seja o vosso nome.

                                   Miguel Torga