Cantigas
No coração das cantigas;
Nem os relógios dão horas
Quando cantam as raparigas.
Como algum dia ando hoje;
Sou o mesmo apaixonado;
Quem disser que o tempo foge
É de nunca ter amado.
A saudade é queda d'água
Que ao longe quebra, ao bater;
É um compasso de mágua
Marcado por te não ver.
Como um adeus de saudade
Não há palavra tão louca:
Dizer adeus, ninguém há-de
Ouvi-lo da minha boca.
Quem ama liga-se à terra,
Quem canta, ao reino dos céus;
Quem pára que Deus o salve,
Quem anda que vá com Deus.
Afonso Duarte
in "Ritual do Amor"
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