sexta-feira, 10 de junho de 2016

Nº. 1666 - Luta Popular


1. Terminei o apontamento da semana passada afirmando: na luta contra os preconceitos e a cultivada alienação a favor das classes dominantes, só as células cooperativas poderão satisfazer as necessidades económicas, sociais e culturais do povo.

2. Porém aguardamos que sejam os outros a fazer qualquer coisa por nós, multiplicando as desculpas para justificar o errático espírito de iniciativa; atribuindo aos outros a falta de confiança no bom êxito de aventados empreendimentos.

3. O ardil do carneiro guisado com batatas para atrair os eleitores à boca da urna dos votos tornou-se obsoleto, uma vez que a prática de imolar vítimas - no caso vertente, mamíferos artiodáctilos ruminantes, da família dos bovídeos - para os oferecer em sacrifício aos deuses perdeu o virginal encanto destes.

4. A estratégia da salazarquia resultou enquanto o patrono teve a vara do poder na mão, dado que a falta de comparência no acto eleitoral seria pouco salutar tanto para os apaniguados, como para os funcionários públicos, embora por baixo de mão até os defuntos votassem.

5. Hoje enche-se a boca com a máxima de que o votar é um dever democrático, embora só os sectários e os nefelibatas votem, sendo os resultados eleitorais sujeitos a uma engenharia matemática caprichosa que, num universo teórico de conjuntos, cumpre com os requisitos impostos pela moderna lógica formal.

6. De(votos) é que a burguesia dominante precisa, quer sufragando demagogos - que, numa ou duas legislaturas, ganham pensões de reforma para o resto da vida - quer através de múltiplas assembleias piramidais designam cândidos delegados, exímios no dizer ámenes.

7. A reforma da impante mentalidade burguesa só poderá ser realizada pelas nossas próprias mãos na linha sugerida pelo CMC.

Nau

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