segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Nº. 1131 - Doutrina Cooperativista
1. Aos meus ouvidos continuam a chegar as admoestações dos Velhos do Restelo que não têm qualquer dúvida que o maralhal não quer aceitar a responsabilidade das decisões - quer ser governado para depois criticar, isto é, dizer mal do que se faz, pôr defeitos no que se faz, censurar por que se faz - lamentando a sua triste sorte.
2. Os Velhos do Restelo, depois de conjecturarem profundamente, chegam à conclusão que apenas uma minoria residual deverá governar - o que é música celestial para os ouvidos da burguesia que, a seu tempo, arredou a decrépita nobreza com o Estado de Direito - assumindo-se como a providencial classe dirigente.
3. Minoria residual porquanto se vai apossando de tudo e de todos, eliminando os menos dotados; controlando a produção dos bens essenciais; impondo o consumismo como droga para a satisfação de apetites vorazes que, à semelhança daquele dos podengos das casas senhoriais, se alimentam dos nacos de carne que lhes são providenciados, rosnando entre si e dando à cauda na expectativa de novas vitualhas.
4. A burguesia dirigente é controlada pela minoria monopolista que, escudada em corporações, vai indigitando os seus afilhados para lugares chaves e estes, macaqueando, em escalão mais modestos, os trejeitos e os faustos dos patronos, repercutem as mesmas denguices até às bases, embora as hipóteses do maralhal desfrutar de idênticas benesses serem muito remotas.
5. Claro que os jogos que se vendem ao público com o alegado fim da distribuição por sorteio de prémios pecuniários fabulosos é mera hipótese de novos impostos serem furtivamente cobrados. Porém, até os mais necessitados arriscam os seus tostões na expectativa de obterem o grande prémio que os permitirá desfrutar do trabalho alheio.
6. A cantada solidariedade - simpatia pelos desprotegidos, pelos que sofrem, etc. - é bandeira tutelar sobre a maioria carente que, por seu lado, pretende viver das esmolas esportuladas por programas sociais onde milhares de burocratas têm o ganha pão assegurado preenchendo estatísticas, redigindo extensos e inúteis relatórios, que apenas servem para manter o statu quo.
7. O planeta Terra a toda a população existente pertence. Logo, cabe a todos nós usufruir das riquezas do mesmo, cooperando entre si, dado que (está mais do que provado) o delegar em celestiais dirigentes é mero adiar de soluções.
Nau
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