domingo, 20 de outubro de 2013
Nº. 702 - Portal Comunalista
1. Com alguma surpresa, cruzámo-nos no aeroporto: eu seguia para o meu destino; ela não arranjara voo directo para Lisboa e aproveitava a oportunidade para visitar uma grande cidade europeia.
2. Acabara de matar saudades da sua terra natal, em África; ver como estava a família e conhecer o neto que acabara de completar uns três anitos, mas dava sinais de uma vivacidade salutar.
3. O semblante triste da minha amiga não me enganava e, como dispunha de algumas horas de uma longa espera, procurei indagar a razão da tristeza que se mantinha estampada no seu rosto.
4. Trabalhava horas a fio e, como vivesse nos arredores de Lisboa, levantava-se de madrugada e regressava, na estação outonal, já noite cerrada, paa amealhar dinheiro e socorrer o filho que, segundo ele dissera, estava cravado de dívidas.
5. Contudo, o cenário com que se deparou nesta sua visita parecia diferente: o filho fora buscá-la ao aeroporto em viatura própria; a casa em que viviam - ele, a mulher, o filho e a empregada doméstica - era ampla; o estilo de vida deles idêntico à de uma família da burguesia acima da classe média, em Lisboa.
6. A dada altura, aventou a hipótese de regressar à sua terra amada, sugerindo ao filho que lhe arranjasse trabalho na grande empresa em que ele exercia funções directivas - nem que fosse para limpezas! - pois o continuado apoio financeiro ao filho seria mantido.
7. Que não, que não era aconselhável o regresso e, quanto à mesada, não era para ele, mas para o neto... A minha amiga desabafou: falam vocês da reforma moral e social da comunidade! Isto já não tem cura - autêntica praga.
Nau
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