quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Nº. 699 - Luta Popular


1. Voltam à carga os adeptos do imobilismo sublinhando que não é curial ter a doutrina cooperativa uma feição política, implicitamente exigindo a castração da rapaziada cá do sítio.

2. Sem dúvida que o imparável movimento cooperativo tem por objecto - como muito bem definira António Sérgio - "a reforma moral e social [da Comunidade], feita pelo povo por acção libérrima, sem a mínima dependência dos maiorais do Estado".

3. Mais acrescentava o mestre António Sérgio: "Pretende [o cooperativismo] abolir o antagonismo de interesses, tornar possíveis as relações amigáveis em todas as circunstâncias do nosso viver comum, assentar a sociedade sobre o auxílio mútuo, suprimir as barreiras profissionais e de classe".

4. À abolição do antagonismo de interesses enunciado por António Sérgio acrescentamos nós o dirimir das opções políticas e/ou religiosas, como atitude individual na persecução dos objectivos concertados dentro da unidade cooperativa.

5. Dando prioridade à defesa dos interesses comuns e abjurando os clubismos alegadamente tidos como opção política, os cooperativistas asseguram o almejado equilíbrio dentro da comuna, relegando os confrontos partidários para sede própria, isto é, a Casa da Democracia.

6. Sendo o cooperativismo o escudo ideal para sustar as aventuras do centralismo burocrático e das viciosas manipulações egoístas, estas embrulhadas num amor excessivo aos bens próprios e ambas de cariz oligárquico, a reforma moral e social preconizada por António Sérgio ganhará a desejada consistência.

7. Logo, a conjunção do espírito cooperativo com a prática comunalista justificará o regresso do Rei por este obviar as disputas partidárias no topo da comunidade.

Nau

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