quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Nº. 1441 - Prelo Real
1. As comunidades - sempre mutáveis - caracterizam-se pelas suas funções, sendo agrícolas quando predomina a força braçal, a pecuária e o cultivo da terra. A permuta de mercadorias e a circulação fiduciária deram azo às comunidades mercantis que, pela acumulação de capitais, favoreceram o surto industrial e este ao avassalamento de todas as comunidades aos esquemas da produção e consumo.
2. Desde os tempos imemoriais, as comunidades obedeceram à lei do príncipe e à genialidade dos sacerdotes dos vários deuses, agora condensados na fórmula de Estado de Direito que protege os interesses do seu criador, isto é, o plutocrata e respectivos apaniguados, para os quais não existem fronteiras, apenas o contraponto do conhecimento, da solidariedade, da prática da autogestão - temas sublimes do cooperativismo.
3. O que motiva o homem é a conquista da felicidade que o obriga a trabalhar para lá da mera subsistência, felicidade vislumbrada num ápice sexual ou em resquícios daquilo que nunca morre, que se pressupõe eterno, imortal, agarrado à fome do poder e à exigência do domínio sobre outrem como linimento à certeza da morte inexorável.
4. Apostamos num futuro radioso em que a robotização, isto é, a capacidade de produzir trabalho sem custo humano, eliminará os parasitas que vivem do esforço laboral alheio e da dependência por nós consentida daqueles que exigem obediência em nome de um fictício interesse comum.
5. Bom é certos monárquicos compreenderem que já não estamos numa época feudal ou senhorial em que os grupos sociais eram definidos pelo nascimento, mas sim em comunidades em que as relações de classe não se verificam entre grupos sociais, mas sim entre posições sociais.
6. O socialismo advoga o predomínio da sociedade sobre o indivíduo; a direcção e domínio do Estado nos bens de produção e consumo, além de uma controlada distribuição da riqueza, com a abolição do capital, entendendo-se por Estado a população residente num determinado espaço geográfico sujeita a um governo próprio e leis comuns, numa versão apoucada de Reino.
7. Por outro lado, o liberalismo - campeão da liberdade individual - defende a propriedade privada e o empreendedorismo como a via mais adequada para a criação de riqueza, procurando limitar a intervenção estatal nas relações comerciais, progressivamente reduzindo os impostos e desburocratizando a administração pública, escudados por um Estado de Direito, bem como por um esquema de voto anódino que lhes garante o controlo do poder político.
Nau
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