terça-feira, 6 de outubro de 2015

Nº. 1419 - RAC: O Engenheiro, III


1. O predestinado engenheiro mecânico - que supostamente tivera uma preparação técnica numa universidade londrina - lá ia dando corda ao grande projecto que o papá lhe encomendara.

2. Na sua capacidade de administrador, o jovem engenheiro angolano empurrava os imbróglios da linha de montagem para o pessoal francês e os problemas administrativos para os seus subordinados, uma vez que ele era suposto apenas preocupar-se com a adequada alta tecnologia.

3. As notícias das actividades dos guerrilheiros com  intenções de destruir a linha de montagem dos camiões franceses careciam de autenticidade, mas eram propaladas com muita convicção, dando importância a um projecto que demorava a entrar nos eixos.

4. Claro que as improvisações eram constantes, particularmente quando o exército em campanha pedia sobressalentes para reparações inadiáveis, sendo estes catrapiscados dos stocks da linha de montagem dando origem a guerras intestinas pela falha de comunicação entre os diversos departamentos.

5. O futuro era olhado com relativo optimismo uma vez que a população, tanto os naturais evoluídos como as aves de permanência temporária, tinha consciência da falta de quadros para responder às necessidades da grande Angola, sendo estas atendidas por uma administração burocrática, mas com larga experiência profissional.

6. Porém, o golpe de Estado do 25A em Lisboa precipitou os acontecimentos em Luanda, procurando os já instalados na vida assegurar a sua presença, enquanto que os oportunistas deitavam a mão a tudo que podiam embolsar.

7. O nosso engenheiro, sem a experiência paterna, nada acautelara para um futuro incerto e, aos primeiros sinais de perigo, fez as malas e desandou para Lisboa, com meia dúzia de apaniguados, aventurando-se noutros tipos de montagens de grande teatralidade.

Nau

Nenhum comentário:

Postar um comentário