quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Nº. 1399 - PR: O Engenheiro, II
1. O projecto exigido pelo pai do JMC era canja. Difícil seria fazer entrar no mesmo o fabricante gaulês pelo que uma viagem à Europa, passando por Lisboa, seria o ponto nevrálgico da negociação.
2. Nas oficinas paternas veículos militares de marca francesa tinha presença certa, umas para beneficiação de chaparia, outras para a revisão dos motores, havendo um bem montado circuito para a angariação de sobressalentes, ora por lisboa através de uma firma associada, ora directamente pela empresa de Luanda.
3. Segundo JMC apurara lá pelos meandros do Clube Naval, tanto o exército, como o governo da província não levantariam qualquer objecção caso os veículos - tanto para o serviço militar em campanha, como para o comércio local - fossem montados ali à porta de casa, o que reduziria o compasso de espera verificado na aquisição de sobressalentes.
4. Há já algum tempo, automóveis eram montados em Portugal, obrigando os condicionalismos industriais à incorporação de mão de obra qualificada e de produtos portugueses, o que deu azo ao florescimento de firmas subsidiárias. Porém, no caso angolano, bastaria a mão de obra local, esta monitorizada pelos técnicos franceses.
5. Concertado o sítio da linha de montagem (num recuperado e magnífico armazém do pai) e o fornecimento dos jigs, bem como das encomendas regulares de CKD, o Kit de ensaio avançou à velocidade de cruzeiro, logo que as cartas de crédito bancário foram abertas a favor do licenciador gaulês.
6. Nem tudo foi simples. Primeiro, o volumoso investimento paterno vacilava, mesmo com o apadrinhamento do governo local; depois a perspectiva burocrática (entenda-se, atrasos) verificada nos pagamentos do material fornecido ao exército pesou forte, além da ameaça dos movimentos independentistas fazer gorar tal projecto.
7. Pouco a pouco todos foram contemplados. Ao pai foi garantida o encaminhamento de capitais silenciosos para algures na Europa; ao governo local o prestígio de um potencial fabricante dentro de portas; ao exército em campanha, fornecimentos regulares; aos independentistas, futuras vantagens. O resto fica para o próximo apontamento.
Nau
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