quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Nº. 296 - Equívocos, deliberados ou ingénuos, I


1. Para alguns, Monarquia é um Estado regido por um monarca, identificando-se o poder político com a pessoa do rei, do qual emana uma autoridade de origem providencial.

2. Ora os negócios públicos - governo e administração - são da competência da grei, isto é, do conjunto de cidadãos que gozando dos mesmos direitos civis e políticos, vivem num determinado território de limites internacionalmente reconecidos.

3. Logo, a autoridade do rei é, de facto, providencial por dar azo aos melhores e necessários resultados, mas não tem nada a ver com doutrinas esotéricas que atribuem tudo o que acontece a forças ocultas apenas compreensíveis pelos bafejados pela crença, por eleitos pelos deuses ou por meros teólogos encartados.

4. Sem dúvida que o poder legítimo emana da comunidade, representada por agentes ou delegados do direito público - normas obrigatórias que disciplinam as relações da totalidade dos cidadãos - mas, a par deste, existe o direito tradicional, meramente consuetudinário, que é transmitido pelas gerações passadas e constituem o DNA dessa comunidade.

5. Assim, como o apelido dos progenitores designa o rebento - aceite ou rejeitado por este - a tradição também poderá ser compreendida ou dificilmente aceite pelos seus herdeiros, normalmente devido a  ideias sem fundamento sério (preconceitos) assumidos por erro ou frustrações pessoais.

6. Ao reconhecer a autoridade do rei como soberano na jerarquia política por obviar disputas partidárias no topo da comunidade, o cidadão criterioso encontra-se em situação privilegiada para optar por qualquer sistema político - liberal, socialista, anarquista, etc. - do seu agrado, actuando em conformidade e segundo os preceitos democráticos.

7. A República persiste devido a preconceitos antimonárquicos e à incongruência daqueles que se afirmam realistas.

Nau

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