sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Nº. 291 - A Família, IV
1. A família tradicional é ciosa dos seus pergaminhos, quer estes remontem a um passado longíquo, quer entronquem num Zé do Telhado qualquer, compreensivelmente imaculado.
2. Todas as comunidades têm (ou tiveram) os seus eupátridas, patrícios, fidalgos e outras coisas mais - supostos (de fresca data) ou autênticos - tidos como padrão, normalmente respaldados em sólidos cabedais sob um véu diáfono de hipocrisias.
3. São raros os casos em que, encontrando-se os bens materiais exauridos, a família tradicional mantém o panache doutrora pelo resíduo de simpatia que o prócero ilustre ainda desfruta ou pelo que o nome sonante angelicamente desperta.
4. A excepção confirma a regra pois a coesão da família tradicional (ou de fresca data) são os cabedais envolvidos, suportados por adequada legislação que os beneficiados procuram manter a todo o custo.
5. Logo, encontrando-se a família tradicional reduzida à expressão mais simples (pai/mãe/filho), em habitação igualmente limitada por modestas dimensões, o elo de ligação entre progenitores e descendente vai-se enfranquecendo com o progressivo afastamento deste último.
6. O fim da família tradicional e o conflito de gerações no seio de um lar de fracos recursos materiais dão azo, pelas várias frustrações possíveis, a atitudes anti-sociais motivadas pela baixa escolaridade, dificuldades de integração no mundo do trabalho, acentuados desníveis sociais, etc..
7. À progressiva decadência da família tradicional, o que nos reserva o futuro?.
Nau
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