quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Nº. 2288 - Prelo Real


                      Evolução

     Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
     Tronco ou rumo na incógnita floresta...
     Onda, espumei, quebrando-me na aresta
     Do granito, antiquíssimo inimigo...

     Rugi, fera talvez, buscando abrigo
     Na caverna que ensombra urze e giesta;
     O, monstro primitivo, ergui a testa
     No linoso paúl, glauco pascigo...

     Hoje sou homem, e na sobra enorme
     vejo, a meus pés, a escada multiforme,
     Que desce, em espirais da imensidão...

     Interrogo o infinito e às vezes choro...
     Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
     E aspiro unicamente a liberdade.

                                                Antero de Quental

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