In Extremis (I)
Só a criança conhece a Eternidade
Que é inocência do desconhecido.
E o que me dá saudade
É havê-la em mim perdido.
Outra herança de tudo que não sou
Podeis levá-la! Faça-se a vontade:
Que a imortal, pérene propriedade,
Perdeu-a o homem quando semeou.
Ah! como a onda do mar que é mais bravia
É que abraça os escolhos,
Só terra de poesia
Foi na minhálma dor, o luto dos meus olhos.
Entre o homem e o amanhã um novelo
De linha preta:
Meu acto de Fé é ser criança, e crê-lo
Que é ser poeta.
Afonso Duarte
1884 -1958
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