quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Nº. 2239 - Prelo Real
Para Quê
Para quê ser o musgo do rochedo
Ou urze atormentada da montanha?
Se a arranca a ansiedade e o medo
E este enleio e esta angústia estranha
E todo este feitiço e este enredo
Do nosso próprio peito? E é tamanha
E tão profunda a gente que o segredo
Da vida como um grande mar nos banha?
Pra quê ser asa quando a gente voa,
De que serve ser cântico se entoa
Toda a canção de amor do Universo?
Para quê ser altura e ansiedade,
Se se pode gritar uma Verdade
Ao mundo vão nas sílabas dum verso?
Florbela Espanca
1894 - 1930
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