quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Nº. 2161 - Prelo Real
Ela não sabe a luz suave e pura
Que derrama numa alma acostumada
A não ver nunca a luz da madrugada
Vir raiando, senão com amargura!
Não sabe a avidez com que a procura
Ver esta vista, de chorar cansada,
A ela... única nuvem prateada,
Única estrela desta noite escura!
E mil anos que leve a Previdência
A dar-me este degredo por cumprido,
Por acabada já tão longa ausência,
Ainda nesse instante apetecido
Será meu pensamento essa existência...
E o seu nome, o meu último gemido.
João de Deus
in "Campo de Flores", 1893
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