quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Nº. 2155 - Prelo Real
Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...
Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes do luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?
Teus cantos d'epopeias? Teus anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperanças e majestade?!
Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
...Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!
Florbela Espanca
17-6-1916
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