quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Nº. 1748 - [RAC] João Alentejano, III
1. O exército tem que ser o espelho da nação: disciplinado; exemplar; reduto dos valores morais e materiais; garantia dos poderes constituídos, da lei e da ordem.
2. Condenado a três meses de prisão (talvez por ter ludibriado o Estado em meia dezena de Escudos) e perda do único benefício que tivera pelo serviço que prestara ao exército - a almejada carta de condução de pesados! - João cumpriu a pena serenamente.
3. De regresso à sua aldeia procurou ingressar nos trabalhos da lavoura como tractorista. Porém, o antigo patrão, usando de cautela, alegava que o rapaz não se encontrava devidamente documentado - logo em perigo no caso de acidente (!) - aconselhando-o a regularizar a situação o mais rapidamente possível.
4. Sem meios para readquirir a credencial que lhe fora marcialmente anulada, João dedicou-se a todo o tipo de tarefas, uma vez que a reparação de motores agrícolas era de pouca monta e o número de automóveis na aldeia se contava pelos dedos.
5. Escriturários do exército, eventualmente assoprados por oficiais antigos clientes do João, apressaram-se em comunicar que uma providencial amnistia concedida pelo governo a indivíduos condenados por determinados delitos, caía como uma luva.
6. Instado pelos antigos camaradas a deslocar-se aos serviços centrais do exército a fim de esclarecer a sua situação aí lhe foi proporcionado todo o tipo de documentos - incluindo a carta de condução de veículos pesados - mediante o sacrifício total da verba que desesperadamente angariara para o regresso a casa.
7. A espoliação de que o nosso protagonista foi alvo é fácil de imaginar, mas reservo para o próximo apontamento as sequelas de tal acto.
Nau
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