quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Nº. 1560 - PR: Palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante,
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'Ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais.
Antero de Quental
(in "Sonetos")
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