quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Nº. 1554 - Luta Popular


1. Ideia feita, i.e., mero preconceito, sem fundamento sério, vizinha da crendice em que se atribui confiança excessiva a certas coisas que, à força de serem repetidas, são tomadas como conceitos exactos, tal como o repisar do binómio república+democracia tido como sinónimo indissociável.

2. Em França, donde veio este subterfúgio, é frequente falar-se das liberdades republicanas e nunca das liberdades democráticas, talvez por terem presente que a res publica - a coisa pública, mas supostamente de todos - é roupa de franceses, vistosa e frívola, escondendo, em regra, cadáveres adiados.

3. O popular não é coisa feita para o povo (o povoléu, a arraia-miúda ou que lhe queiram chamar) mas aquilo que agrada ao povo, a saber: benfeitorias, de preferência mascaradas de benesses, sem contrapartidas e/ou obrigação de assumir qualquer tipo de responsabilidade.

4. A luta também é palavra forte, bonita de se dizer, mas nestas coisas de refregas o que importa é muita presença de espírito e ausência de corpo, uma vez que os técnicos fazem as bombas, os experimentados lançam-nas no momento aprazado e o maralhal sofre as consequências.

5. Todos têm presente que a violência gera mais violência. Porém, aqueles que afirmam que o ditador tudo pode fazer com a ponta das baionetas menos sentar-se nestas, por certo, nunca visitaram a Coreia do Norte, cujo presidente da república deve andar prevenido com cuecas de aço ou...

6. A luta popular só é possível através do esclarecimento das pessoas - experiência individual, jamais cantos de sereias ensaiadas por demagogos - experiência adquirida na gestão de pequenas células cooperativas que, responsavelmente, se multiplicarão a breve trecho.

7. O futuro não está nas mãos dos audazes, mas dos sensatos que dialogam, cooperam, trabalhando para a consolidação de uma Economia Social.

Nau

Nenhum comentário:

Postar um comentário