segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Nº. 1495 - Doutrina Cooperativista


1. Certos monárquicos crêem que a simples mudança das instituições políticas bastará para erradicar todos os males da sociedade portuguesa - a corrupção; a exploração despundonorada do maralhal pelos privilegiados; o carreirismo político; o adiamento das reformas do aparelho do Estado e outras coisas da mesma sorte.

2. A República maçónica que na segunda década do milénio passado afirmara acabar com o sistema parlamentar assente no princípio da rotação no poder entre dois partidos predominantes eleitoralmente, durou dezasseis penosos anos, sendo substituída pela República salazárquica de má memória.

3. Bom é não esquecer que a dita República salazárquica também assentava num sistema parlamentar, tipo monopartidário, sendo os deputados à assembleia magna escolhidos pelo ditador e confirmados por um sufrágio universal em que o número de votantes - por milagre ou mera inspiração divina - era superior aos registados em recentes actos similares.

4. Com finanças públicas equilibradas - mas com um sorvedouro de meios pouco rentáveis; uma capacidade industrial altamente condicionada e um comércio baseado em esquemas pouco dinâmicos - a segunda República foi sobrevivendo, graças às remessas dos imigrantes e à tolerância dos chamados regimes da civilização ocidental.

5. Abro aqui um parêntesis para sublinhar que a revolução é uma mudança profunda das bases e das estruturas da comunidade que não mero conflito entre os parceiros dominantes que trocam as posições relativas nas cadeiras do poder mantendo o statu quo.

6. Logo, o que importa não é a violência (que denota apenas falta de argumentos) mas a reforma da mentalidade burguesa, esta assente no regime de propriedade capitalista, vocacionada para o aumento da produção e do consumo, ambos cultivados pelos plutocratas e seus favorecidos.

7. O CMC avança com a ideia peregrina da cooperação (acto de cooperar que não apropriar); com o nobre conceito da equidade (disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um); com o preceito magnifico da solidariedade ( responsabilidade mútua, moral e materialmente úteis); em suma: com a revolução monárquica e o regresso do Rei.

Nau

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