segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Nº. 5565 - Portal Comunalista
1. A uma personagem de Aldous Huxley - possível remniscência da sua infância na prática matutina, sentado nas duras cadeiras da capela a aguardar a intervenção do sacerdote - ocorre uma palavra musical de definição imprecisa.
2. O calor de tal palavra, contrastando com o penoso desconforto do momento, deu-lhe asas para se aventurar em acordos de sons agradáveis ao ouvido - coloridos, harmoniosos - sugestivos de rimas e de extensas paisagens coloridas, distintas da austeridade conventual.
3. Horas mais tarde, em pausa dos trabalhos escolares, a subtil palavra voltou à sua mente, com associações esplendorosas, libertando-o da severidade dos compêndios manuseados; aguçando-lhe a curiosidade em se asseverar do exacto significado do libertador e magnífico vocábulo.
4. Socorreu-se do primeiro dicionário que veio à mão na biblioteca e, sofregamente, procurou o que tal palavra queria dizer mas - surpresa desagradável! - o harmonioso termo remetia-o para as coisas mais repugnantes que em ocasiões tenebrosas lhe ocorrera.
5. O mesmo acontece com a política à portuguesa, bem como às muitas palavras consagradas por esta, atiradas com rosas, digo cravos, e promessas de uma equilibrada redistribuição de riqueza aos desvalidos, embora apenas se limite a satisfazer a ganância dos plutocratas e a fome de poder da burguesia republicana dominante.
6. Tanto para liberais, como para socialistas, a democracia resume-se à delegação do poder decisório da população a terceiros, estes nomeados por caudilhos de má-morte, ambos ao serviço do grande capital.
7. Nós, os cooperativistas, procuramos satisfazer as nossas necessidades económicas, sociais e culturais em associações autónomas e auto-suficientes, sendo as decisões tomadas por voto expresso e inalienável.
Nau
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