sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Nº. 423 - Incongruências, II
1. Falsas e nefastas não são apenas as religiões porquanto até os factos históricos são narrados de acordo com as interpretações e as conveniências - universais e/ou particulares - do momento, época ou determinada situação.
2. Ocorre-me o 14 de Julho celebrado em toda a França, com pompa e circunstância, devido à tomada de uma antiga fortaleza de Paris, utilizada desde o governo de Richelieu (séc. XVII) como prisão política mas que, à data do levantamento popular (14-7-1789), comportava 5 ou 7 deliquentes comuns, sendo dois declarados doentes mentais.
3. Sem dúvida que a 'Tomada da Bastilha' serve apenas para designar um periodo conturbado da história da França, mas associar a libertação de presos de delito comum - 4 falsários, 1 predador sexual e 2 doentes mentais, bem como o massacre de 100 pessoas e destruição da respectiva fortaleza - às conquistas da revolução propriamente dita, parece pouco razoável.
4. Claro que os excessos são esquecidos em função dos resultados alcançados - mesmo quando estes são manchados pela ignomia e a irracionalidade do momento - multiplicados por enes mitos, alheios ao levantamento popular, que se encontram polvilhados por episódios dantescos e figuras oportunísticas que fazem parte da corte que acompanhou a ascensão, glória e queda de Napoleão Bonaparte.
5. Em Portugal, sintomaticamente, a República foi imposta a partir da varanda do município de Lisboa onde o partido republicano obtivera uma maioria relativa no último acto eleitoral de então, e daí transmitida ao país pelo telefone e telégrafo como acto imperiosamente consumado.
6. A Casa da Democracia, onde o partido republicano era naturalmente minoritário (apenas 5%), foi dissolvida a partir dos paços do concelho e, durante os 16 anos seguintes, a coisa foi mais simplificada, tendo um dos 42 governos sido demitido por arma apontada à cabeça do primeiro-ministro que acabara de ser eleito.
7. Os cerca de 40 anos de salazarquia mantiveram a cerimónia do hastear da bandeira nos paços do concelho. A originalidade do regimen vigente foi, no ano findo, em hastear a bandeira verde-rubra ao contrário, como prognóstico de rendição a desconhecidos - seria à Troika?.
Nau
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