quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Nº. 7778 - Prelo Real 16/XII/2021

                       Noturno


 Espírito que passas, quando o vento

Adormece no mar e surge a lua,

Filho esquivo da noite que flutua,

Tu só entendes bem o meu tormento.


Como um canto longíquo - triste e lento -

Que voga sutilmente se insinua,

Sobre o meu coração, que tulmutua,

Tu vertes pouca a pouco o esquecimento...


A ti confio o sonho em que me leva

Um instinto de luz, rompendo a treva,

Buscando entre visões, o eterno bem.


E tu entendes meu mal sem nome,

A febre de Ideal, que me consome,

Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém.


                                            Antero de Quental


 

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