quinta-feira, 4 de julho de 2019
Nº. 5784 - Prelo Real
Quando eu partir
Quando eu partir, quando eu partir de novo
A alma e o corpo unidos,
Num último e derradeiro esforço de criação;
Quando eu partir...
Como se um outro ser nascesse
De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estatal,
E sem que o milagre se abrisse
A janela da vida...
Então pertencer-me-ei.
Na minha solidão, as minhas lágrimas
Hão de ter o gosto dos horizontes sobrados na adolescência,
E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
Nada ficará no lugar, que eu ocupei.
O último adeus virá daquelas mãos abertas
Que hão-de abençoar um mundo renegado
No silêncio de uma noite em que um navio
Me levará para sempre.
Mas ali
Hei de habitar no coração de certos que me amaram,
Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam,
irremediavelmente...
Para sempre.
Ruy Cinatti
8/3/15 -12/10/86
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