quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
Nº. 5659 - Prelo Real
Todo tempo é de poesia
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia
Todo o tempo é de poesia
Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas qu'amar se consagram.
Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.
Todo o tempo é de poesia
Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.
António Gedeão
24/11/1906 - 19/2/1997
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