Soneto
Ó florentino túmulo de prata!
Ó sepultura de quatorze versos!
Demais virou por ti aprisionada,
a asa vibrátil do meu pensamento.
Demais sofri a dura disciplina
do chicote de quatorze pontas,
soneto arcaico, inquisidor vermelho,
que Petrarca há seis séculos gerou.
Ó taça antiga de quatorze gomos!
Taça de ouro de Guido Cavalcanti,
bebi por ti, mas atirei-te ao mar.
Não se ouvem mais os cúmulos da rima.
Asa liberta, voa em liberdade!
Jaula de bronze, estás aberta enfim.
Júlio Dantas
19/5/76 - 25/5/62
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