quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Nº. 2092 - Prelo Real
Não Choreis os Mortos
Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.
E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Dos vossos corações, calmas e puras,
Para os que vivem, mudos e vencidos.
Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.
E ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixam de sofrer.
Pedro Homem de Mello
in "Caravela ao Mar"
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