Quantos seremos
Não sei quantos seremos
mas que importa?
Um só que fosse
e já valia a pena.
Aqui no mundo
alguém que se condena
Anão ser conivente
Na farsa do presente
Não podemos mudar a hora da chegada
Nem talvez a mais certa
A da partida.
Não podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
E o que não presta é isto
esta mentira Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste
Que cobre de soturna maldição
Que lhe resiste.
Miguel Torga
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