quinta-feira, 15 de junho de 2023

Nº. 9823 - Prelo Real 15/06/2023


                 Plumas Negras


Piam mochos, chiam c´rujas

Lá do alto de S. Bento,

Esse bando agoirento

de plumagem negro-sujas,

Piam, piam sob cruzes,

Exibindo aves raras...

Negando a outras aves

Doutros sóis suas luzes

No escuro do seus ninhos

Escrevo seus pensamentos

Lá fecundam os tormentos

Dos humildes passarinhos.

Plumas negras assassinas 

A seu mando vão agindo

Os ninhos vão destruindo

Essas aves de rapina.

Abutres e gaviões 

Penas de garras sangrentas

Vão espalhando tormentas

Rugindo como leões

Nas gaiolas vão mantendo 

Outras pessoas já despertas.


Nas paliçadas desertas

Outras aves vão morrendo.

Oh agoirentas julgais

Que serão vossos processos

Que detêm os progressos 

De tão nobres ideais?

Para quê tanta maldade

Tanta lama, tanto crime!

A história não redime

Tal bando sem piedade.

A justiça há-de chegar

Com pena de Talião!

Nas cinzas do turbilhão

Outra luz há-de brilhar.


Calai-vos ó rouxinois,

Esqueçei vossas melodias!

Para cá das sacristias

Aquecei-vos noutros sóis!


Inocente passarada

Unidos, formai barreira!

Para as lavas da fogueira

A "terrível" bicharada!


                        Artur Modesto




 

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