Plumas Negras
Piam mochos, chiam c´rujas
Lá do alto de S. Bento,
Esse bando agoirento
de plumagem negro-sujas,
Piam, piam sob cruzes,
Exibindo aves raras...
Negando a outras aves
Doutros sóis suas luzes
No escuro do seus ninhos
Escrevo seus pensamentos
Lá fecundam os tormentos
Dos humildes passarinhos.
Plumas negras assassinas
A seu mando vão agindo
Os ninhos vão destruindo
Essas aves de rapina.
Abutres e gaviões
Penas de garras sangrentas
Vão espalhando tormentas
Rugindo como leões
Nas gaiolas vão mantendo
Outras pessoas já despertas.
Nas paliçadas desertas
Outras aves vão morrendo.
Oh agoirentas julgais
Que serão vossos processos
Que detêm os progressos
De tão nobres ideais?
Para quê tanta maldade
Tanta lama, tanto crime!
A história não redime
Tal bando sem piedade.
A justiça há-de chegar
Com pena de Talião!
Nas cinzas do turbilhão
Outra luz há-de brilhar.
Calai-vos ó rouxinois,
Esqueçei vossas melodias!
Para cá das sacristias
Aquecei-vos noutros sóis!
Inocente passarada
Unidos, formai barreira!
Para as lavas da fogueira
A "terrível" bicharada!
Artur Modesto
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