1. Há semelhança do que acontecia com o excesso de expressões francesas, na imprensa lusa, no início do século transacto, hoje o inglês não falha no jornalismo de trazer por casa.
2. Quer seja um novo processo para descascar batatas, quer seja o renovar de velhos projectos na área de Sines, quem não utiliza duas ou três palavras em inglês acerca destes assuntos, dificilmente será tido como um comentador ilustrado.
3. Pegue-se num tema de lana-caprina, introduza-se duas ou três bacoradas em vernáculo do Tio Sam, e logo a dissertação do co-manager é jornalisticamente avançado na imprensa, com pompa e circunstância, e direito de entrar em debates na Assembleia da República.
4. Voltamos à expressão de "merluza com uma salsa divinal" daquele que, nos anos 50 do último século, pouco fora além de Badajoz onde comera uma pescada com molho do seu agrado, mas caprichava em sublinhar a sua qualidade de forasteiro em terras estrangeiras.
5. Somos um pequeno rectângulo na península ibérica à beira Atlântico e damo-nos ao luxo de frequentar cursos de Verão além-mar, regressando com um diploma doutorado em herméticas teorias científicas proporcionadas por famosas instituições académicas estrangeiras.
6. Os mais destemidos até não precisam de sair da sua barraca, caprichando em inscrever-se nos cursos proporcionados na Internet para 'épater le bourgeois', isto é, 'to scandalize the middle class' através de up to date jornalismo.
7. Hoje a luta popular de trazer por casa, com pachorra num longo fim de semana, termina com um 'fuck you', não para o leitor destas linhas, mas para os intelectualóides desta praça.
Nau
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