A Cidade
Sinto a repulsa dos dominadores...
Sou novo, sou ateu, sou anarquista...
Não sigo a mesma norma dos doutores
E ergo, acima das baias, muita vista.
Aperto, entre meus dedos compressores,
A garganta da casta comodista;
Anuncio outra lei e outros valores;
Sou a palavra santa que conquista.
Vou sozinho, arrostando o ódio dos anos...
E em pé, no topo da colina extrema,
Indico ao povo a Sião para aonde vamos:
Vamos para a cidade iluminada!
Vejo-o ao longe, a faiscar, como diadema,
Entre a prata e os carmins da madrugada...
José Oiticica
Nenhum comentário:
Postar um comentário