sexta-feira, 27 de setembro de 2019
Nº 5869 - Luta Popular
1. A faculdade do homem agir responsavelmente na comunidade em que está integrado, sem peias ou agravos de minorias que manipulam ou concentram em si todos os poderes públicos, ocorre como expressão sintética de liberdade.
2. Porém, sofisticados programas de instrução que do berço ao término da vida formatam a actividade do comunardo são implementadas pela burguesia republicana dominante que, do ensino à comunicação social, protegem os bens herdados ou adquiridos, condicionando os meios de produção e consumo.
3. Claro que a educação - processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança - vai sendo progressivamente contaminada pelo ambiente, até porque o colo maternal cedo é substituído por estabelecimentos destinados a dar assistência a crianças de tenra idade.
4. O jovem compelido a escolher ou será meramente empurrado para actividades que o avassalam e, quanto mais se eleva o nível de vida, mais é obrigado a adoptar o modo de agir prudencial e moralmente do meio onde se encontra.
5. À memória ocorrem-me os versos de José Luís Peixoto - "na hora de pôr a mesa éramos cinco... enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco" - pois a instrução académica superior não apaga o referencial da educação que os poucochinhos aventuram esconder em blasonamentos espúrios e/ou em cabedais fortuitos.
6. O problema das escolhas pessoais será a prova de lucidez, de previsão e responsabilidade do homem consciente que procura aumentar, fora dos motivos extra-económicos, as ideias com as quais se possa identificar, estendendo e defendendo a cooperação, i.e., a educação permanente, como via fundamental e revolucionária.
7. Logo, a verdadeira luta popular, na incontornável administração pública digitalizada que se avizinha, consiste na multiplicação das unidades cooperativas em que as minorias não mandam e a maioria se educa.
Nau
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário