quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Nº. 5867 - RAC
1. O liberalismo, propondo a liberdade do homem em todas as situações históricas e uma limitada intervenção estatal na economia, esta exercitada em mercados onde se compra e vendem mercadorias, irrompeu pela Europa nos finais do século XIX.
2. Claro que o privilégio social determinado pela linhagem e o 'sangue azul', arredada da propriedade que lhe serviu de berço, para maior aproximação ao soberano e eventual desfrute das mordomias esportuladas por este, foi progressivamente substituída por uma burguesia industrial que, através da acumulação de bens de raiz se converteu em classe social dominante.
3. Porém, o grupo minoritário de pessoas com vastos cabedais, tendo defendido as amplas liberdades, cedo procurou assegurar a posse dos bens que acumulara, tanto nas actividades industriais como na função comercial, ambas mancomunadas com usurários, impondo um alargado direito de propriedade por via constitucional, passando esta a ser tido como pilar da democracia e reduto da burguesia republicana dominante.
4. A hegemonia da burguesia financeira, vinculada ao processo imperialista do século XIX, deu azo a um capitalismo monopolista, tendo este sido cultivado a partir de um nacionalismo espúrio tido como alternativa ao soberano tradicional, bem como a uma política ora partidocrática, ora caudilhista, proporcionadora de confrontos militares que arrasaram a Europa na primeira metade do século transacto.
5. Segundo Henry Kissinger, o pensamento da timocracia norte-americana tem oscilado entre o isolacionismo e o empenhamento dos assuntos internacionais, tendo optado por este último no fim da Segunda Guerra Mundial, mantendo um forte contingente militar na Europa, alegadamente para proteger esta dos ventos de leste.
6. A queda do Muro que separava a Europa dos países atrás da Cortina de Ferro anunciaria o fim dos pactos de defesa de controlo norte-americano, porém a hipótese de uma força militar genuinamente europeia tem provocado sérios engulhos ao Tio Sam.
7. Embora reconhecendo que o pacto Rússia/China é devido à pressão hegemónica norte-americana, o Reino Unido afasta-se da Europa para fazer tagatés no outro lado do Atlântico.
Nau
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